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20 de dezembro de 2019

Cientistas do LIneA participam de reunião do DES organizada pela Universidade de Sussex na Inglaterra

Entre os dias 4 e 9 de novembro realizou-se a reunião da colaboração Dark Energy Survey na Universidade de Sussex, localizada na cidade de Brighton, no Reino Unido. O evento, que acontece semestralmente desde o início do levantamento, tem como objetivos o compartilhamento de resultados com ampla discussão, uma melhor integração dos cientistas que colaboram remotamente, além de reuniões específicas para o alinhamento e tomadas de decisões que impactam os projetos científicos cobertos pelo DES.

Nesta edição, foram discutidos os detalhes do processamento dos dados do último ano de observações, já finalizado, em preparação para a liberação final dos dados para o público, que está prevista para ocorrer em Janeiro de 2021. Também foram discutidos os resultados parciais que já foram atingidos com os dados dos primeiros anos.


Quatro cientistas brasileiros participaram desta edição da reunião com apoio do INCT do e-Universo e apresentaram palestras com os resultados de seus trabalhos. Os temas centrais das pesquisas incluem a confecção e apresentação dos mapas com as principais informações sobre a cobertura do levantamento, detecção da rotação de TNOs (Objetos Transnetunianos) em grandes intervalos observacionais, estudo da evolução da função de luminosidade de galáxias, e os resultados de um novo software que detecta aglomerado de galáxias, aplicado aos dados do primeiro ano de observações.

Os mapas sistemáticos apresentados por Adriano Pieres mostraram como foi a cobertura do levantamento em termos de tempo de exposição, das condições da atmosfera, e de vários outros atributos inerentes às observações durante os seis anos de coleta de dados. Além disso, foi feita uma comparação com os atributos da liberação de dados do terceiro ano, mostrando a evolução do levantamento ao longo do tempo. Estes mapas sistemáticos foram produzidos nos computadores do LIneA e representam a síntese do Dark Energy Survey, pois compilam os dados do começo ao final das observação da Câmara de Energia Escura (DECam). Com base nestes mapas, por exemplo, podem ser construídos catálogos com maior qualidade do que a média das observações, objetivando resultados científicos mais acurados, além do catálogo geral de todo o levantamento necessário para qualquer estudo científico.

Durante a reunião houve apresentação de trabalhos nas sessões paralelas. Na reunião paralela do grupo de Milky Way, vários trabalhos foram apresentados para o conhecimento de seus pares, como artigos prestes a serem publicados sobre análises químicas de estrelas no entorno da Galáxia, resultados sobre simulações de galáxias-anãs, etc. Uma discussão produtiva foi feita sobre as atualizações de artigos feitos com dados de releases anteriores e suas possíveis atualizações com liberações de dados mais recentes. Na interação com o grupo, outros trabalhos começaram a ser iniciados, como por exemplo, a aplicação de aprendizado de máquina à distinção entre estrelas e galáxias. Este é um problema recorrente nos levantamentos fotométricos profundos do céu, pois o formato observado de galáxias muito distantes se assemalha muito ao das estrelas, tornando difícil a obtenção de amostras puras de estrelas e galáxias,

Nas sessões de aglomerados de galáxias, foram discutidos os resultados cosmológicos baseados no primeiro ano de observação e o planejamento das análises para os dados do terceiro ano. Entre elas estão principalmente a calibração de efeitos observacionais na estimativa da riqueza de aglomerados e possíveis vieses decorrentes de usar coletâneas específicas de dados. Além disso, a colaboração apresentou interesse em investigar aglomerados com contribuições menores da sequência vermelha de galáxias, ou mesmo sua ausência, que poderiam ser detectados pelo software desenvolvido pela equipe brasileira.

Há também dentro da colaboração estudos de objetos móveis e transientes. Dentre vários assuntos discutidos, resultados de levantamentos feitos a partir de alertas do LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) foram abordados e também simulações para detectar a assinatura orbital de um nono planeta no Sistema Solar. Em particular, foram apresentados resultados da rotação para quase uma dezena de TNOs, que tendo sido observados por longos períodos complementam um espaço não conhecido sobre a existência de rotatores lentos.

De volta da reunião a equipe brasileira agora foca sua atenção na análise dos dados completos dos seis anos de observação, reve o desempenho de seus algoritmoos de análise e se prepara para distribuir os dados do DES a partir de suas próprias máquinas e usando seu próprio software atualmente disponível somente no NCSA.

LIneA e o INCT do e-Universo tem como missão apoiar a participação de pesquisadores associados a instituições brasileiras em grandes levantamentos astronômicos, como os projetos Dark Energy Survey (DES), Sloan Digital Sky Survey (SDSS), Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), e o LargeSynoptic Survey Telescope (LSST). O LIneA, criado em 2010, é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). As atividades do LIneA vem sendo apoiadas ao longo dos anos pelo MCTIC, FINEP, FAPERJ, FAPERGS e a FAPESP. O programa INCT tem o apoio do CNPq, CAPES, e FAPERJ.




18 de dezembro de 2019

Teste de transmissão e latência da rede: à espera dos dados do LSST

Os times da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA) e do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) uniram esforços para avaliar o desempenho da rede entre dois locais estratégicos de geração e distribuição dos dados do projeto LSST, um em Santiago no Chile e o outro em Illinois nos Estados Unidos. Esta avaliação é parte do trabalho contínuo de preparação para o projeto LSST, que necessitará fazer transferências internacionais de grandes quantidades de dados resultantes de observações.

Entre os objetivos da colaboração estavam a realização de medição de desempenho de rede entre o equipamento do LIneA instalado no LNCC e os pontos de acesso de dados do LSST, sendo um no ponto de presença da RedClara em Santiago e o outro no National Center for Supercomputing Applications (NCSA). Este último ponto nos Estados Unidos é o local principal de distribuição dos dados. Também foi avaliado o estado atual das conexões internacionais da rede de pesquisa brasileira mantida pela RNP e atualização da interação com os times de TI envolvidos na colaboração do LSST.

Para a realização dos testes foi utilizada uma ferramenta chamada PerfSonar, que permite a execução de testes de desempenho entre pontos da rede que tenham a ferramenta instalada. Abaixo se encontra uma figura que representa a topologia dos testes realizados.

Figura 1: Topologia dos testes

Na conexão entre LIneA /LNCC e Santiago (destacada em vermelho na Figura 1) o servidor reservado para realização dos testes não estava acessível publicamente por questões de segurança. Para solucionar essa restrição, a RNP utilizou um serviço de circuitos virtuais sob demanda conhecido como Cipó, que permitiu conectar o servidor no LIneA /LNCC ao servidor da RedClara em Santiago como se ambos estivessem na mesma rede local. A conexão entre LIneA /LNCC e NCSA (em preto na Figura 1) foi viabilizada da forma pública tradicional via redes acadêmicas da RNP (BR), RedClara /Amlight e Internet2 (EUA).

Dois tipos de testes foram realizados, um para medir taxa de transferência e outro focado em medir a latência. Os testes de taxa de transferência mediram a quantidade de dados que podem ser transmitidos por segundo, dado que a capacidade máxima da conexão para o teste era de 10Gb/s, sendo que quanto mais próximo desta taxa melhor a utilização da banda.

Abaixo estão gráficos com resultados de testes de taxa de transferência usando o protocolo UDP e TCP. Os termos “jumbo” e “normal” referem-se ao tamanho do arquivo, ou seja, a quantidade de dados enviados por cada pacote transferido na rede, sendo pacotes normais de 1500 bytes e pacotes jumbo de 9000 bytes.

Figura 2: Medições máximas de taxa de transferência com protocolo UDP
Figura 3: Medições máximas de taxa de transferência com protocolo TCP

Já os testes de latência medem o quão rápido os dados transmitidos vão da origem até o destino, medido em ms (milisegundos). Quanto menor o valor atingido, mais rápido os dados são transmitidos. As ferramentas de medição mostraram uma latência na casa dos 150 ms na conexão entre LIneA /LNCC e NCSA e 55 ms para a conexão LIneA /LNCC e Santiago, durante o período de testes.

Os resultados apresentados nas figuras 2 e 3 indicaram que a comunicação entre LIneA /LNCC e Santiago (RedClara) via serviço Cipó atendeu as expectativas em relação a taxa de transferência atingida em ambos os sentidos que foi de aproximadamente 8Gb/s e mostrou ser uma opção bastante viável para o download de dados de observação do LSST, devido à menor proximidade (latência) com o Brasil.

Com relação ao sentido de transferência de maior interesse para baixar os dados do LSST (do NCSA/USA para o LIneA /LNCC), as taxas atingidas de aproximadamente 7 Gb/s com ambos os protocolos foram bastante satisfatórias, considerando-se a alta latência e a distância entre as instituições. Isso prova que estamos na direção correta para suportar as necessidades de transferência de dados do LSST. A conclusão final é de que os testes atingiram todos os objetivos esperados.

LIneA e o INCT do e-Universo tem como missão apoiar a participação de pesquisadores associados a instituições brasileiras em grandes levantamentos astronômicos, como os projetos Dark Energy Survey (DES), Sloan Digital Sky Survey (SDSS), Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), e o LargeSynoptic Survey Telescope (LSST). O LIneA, criado em 2010, é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). As atividades do LIneA vem sendo apoiadas ao longo dos anos pelo MCTIC, FINEP, FAPERJ, FAPERGS e a FAPESP. O programa INCT tem o apoio do CNPq, CAPES, e FAPERJ.




17 de dezembro de 2019

INCT do e-Universo participa de avaliação

Nos dias 19 e 20 de novembro o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do e-Universo participou do III Seminário de Avaliação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, organizado pelo CNPq em Brasília. A apresentação resumindo o trabalho realizado durante o periodo 2017-2019 foi feita pelo seu coordenador na sessão de Ciência Exatas e pode ser encontrado aqui. Um relatório mais detalhado do INCT cobrindo todo o período foi submetido ao CNPq em 29/08/2019 e pode ser encontrado aqui.

Figura 1 – Cerimônia de abertura com a participação de várias autoridades. Na foto o Secretário Marcelo Morales faz o seu discurso. (Crédito: Márcio Nascimento/ASCOM-MCTIC)
Figura 2 – Foto conjunta dos coordenadores dos INCTs ao final da cerimônia de abertura (Crédito: Márcio Nascimento/ASCOM-MCTIC)
Figura 3 – Apresentação de algumas das informações sobre o INCT do e-Universo apresentado de forma acessível ao grande público na exposição montada do lado de fora das salas de reunião. (Crédito: L. da Costa)

LIneA e o INCT do e-Universo tem como missão apoiar a participação de pesquisadores associados a instituições brasileiras em grandes levantamentos astronômicos, como os projetos Dark Energy Survey (DES), Sloan Digital Sky Survey (SDSS), Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), e o LargeSynoptic Survey Telescope (LSST). O LIneA, criado em 2010, é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). As atividades do LIneA vem sendo apoiadas ao longo dos anos pelo MCTIC, FINEP, FAPERJ, FAPERGS e a FAPESP. O programa INCT tem o apoio do CNPq, CAPES, e FAPERJ.




14 de novembro de 2019

Gerenciando observações astronômicas na era de grandes volumes de dados

No mês de outubro astrônomos e cientistas de dados e da tecnologia da informação se reuniram na sede do Carnegie Observatories em Pasadena, Estados Unidos, para discutir e pôr em prática soluções de software no âmbito das pesquisas em Astronomia (Figura 1). Esse tipo de engajamento no setor de softwares científicos constantemente vem adquirindo centralidade na tomada de decisões estratégicas. Na Astronomia em particular, produzimos cada vez mais e melhores catálogos a partir de observações astronômicas e, de maneira similar, a taxa de descobertas também acelera.

O TOM (Gerenciador de Alvos e Observações, em inglês) é um projeto que tem como objetivo auxiliar o desenvolvimento da próxima geração de softwares para o campo astronômico que está em rápida evolução. Os astrônomos acharam necessário criar sistemas orientados a bancos de dados para lidar com essa enxurrada de informação sobre seus alvos, suas observações e os produtos produzidos a partir dessas medidas. Com esta estratégia em mente, os sistemas TOM são e oferecem uma maneira eficiente de exibir e interagir com seus próprios dados utilizando um navegador padrão ou uma interface gráfica. Esses sistemas vem evoluindo rapidamente e já são capazes de enviar solicitações de observações automaticamente para instalações observacionais como Gemini, SOAR e a rede robótica Las Cumbres Observatory. Quando um sistema TOM está acoplado ao software de análise do astrônomo ele é capaz de conduzir programas de acompanhamento totalmente automatizados, incluindo uma resposta rápida a novos alertas onde o tempo ou a data de observação é crítica.

Figura 1: Participantes do TOM Toolkit Workshop na sede dos Observatório Carnegie em Pasadena, Califórnia, EUA. Créditos da imagem: TOM Toolkit Workshop.

Um dos portais desenvolvidos no LIneA é dedicado a este tipo de fenômeno transiente: a predição de ocultações estelares por asteroides, mantendo a tradição do desenvolvimento de pesquisa estratégica. O pesquisador Rodrigo Boufleur do ‘Grupo do Rio’ e filiado ao INCT do e-Universo que desenvolve estudos de pequenos corpos distantes do Sistema Solar esteve presente no Workshop que além de dedicar tempo a discussões científicas ajudou a promover a competitividade. Dentre outras coisas, a reunião permitiu que os cientistas presentes dessem feedback à equipe de desenvolvedores dos requisitos científicos para tais sistemas e também facilitasse a comunicação entre o time de astrônomos e o de desenvolvedores para otimizar os serviços de interface com as necessidades dos cientistas.

Um dos objetivos do evento foi sobre os preparativos para a era de observações do Large Synoptic Survey Telescope (LSST) por meio da integração com o seu antecessor para testes, o Zwicky Transient Facility (ZTF). Uma componente crítica deste levantamento são os fenômenos transientes (que variam no tempo ou no espaço) e para isso vários sistemas para alertar estas detecções estão sendo criados. No âmbito do LSST plataformas como ANTARES (Arizona-NOAO Temporal Analysis and Response to Events System), ALeRCE (Automatic Learning for the Rapid Classification of Events) e MARS (Make Alerts Really Simple) utilizam os fluxos de alertas providos pelo ZTF para filtrar e acompanhar alvos de interesse como eventos de Supernovas, entre outros.

Neste aspecto, nosso portal de análises para o Sistema Solar já processa informações de outras colaborações científicas. Atualmente está sendo preparado para rapidamente processar dados vindo de sistemas de alertas como aqueles que serão providos pelo LSST nos permitindo em tempo real otimizar posições e recalcular constantemente as características dos objetos estudados.

A seleção para participar do evento também deu ao pesquisador participante a prerrogativa de escrever uma proposta que visa financiar o desenvolvimento ou integração de sistemas similares já existentes utilizando as instalações do telescópio Gemini, SOAR e a rede de telescópios do Las Cumbres Observatory. Em breve poderemos ter mais boas notícias para confirmar a excelência do trabalho de pesquisa em produção mantido no Brasil. Para mais informações sobre os sistemas TOM não deixe de acessar https://tom-toolkit.readthedocs.io.

LIneA e o INCT do e-Universo tem como missão apoiar a participação de pesquisadores associados a instituições brasileiras em grandes levantamentos astronômicos, como os projetos Dark Energy Survey (DES), Sloan Digital Sky Survey (SDSS), Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), e o LargeSynoptic Survey Telescope (LSST). O LIneA, criado em 2010, é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). As atividades do LIneA vem sendo apoiadas ao longo dos anos pelo MCTIC, FINEP, FAPERJ, FAPERGS e a FAPESP. O programa INCT tem o apoio do CNPq, CAPES, e FAPERJ.




12 de novembro de 2019

LSST muda as regras de participação

Numa grande reviravolta o projeto LSST liderado pelo Departamento de Energia do governo americano, representado pelo SLAC, e o National Science Foundation, representado pela AURA, recentemente alterou radicalmente a forma pela qual instituições internacionais podem participar do projeto. Ao invés de contribuições financeiras agora são solicitadas contribuições que possam reduzir o custo de operação ou adicionar valor ao projeto como tempo em outros telescópios ou conjunto de dados que possam ser usados em combinação com os dados do LSST para melhorar o resultado de análises científicas.

A parceria LIneA/INCT do e-Universo, cumprindo sua missão de apoiar a participação de pesquisadores brasileiros em grandes colaborações internacionais, pretende submeter uma proposta procurando expandir o número de pesquisadores atualmente disponíveis no Brazilian Participation Group. A proposta será baseada em grande parte no trabalho de infraestrutura realizado pelo LIneA ao longo dos mais de 10 anos de funcionamento.

Convidamos aqueles interessados de submeter alguma contribuição para consideração a entrar em contato com a coordenação do LIneA ou submeter suas idéias pelo e-mail lsst-in-kind@linea.gov.br.




05 de novembro de 2019

DESI abre seus 5.000 olhos para capturar as cores do cosmos

Um novo instrumento montado no telescópio Mayall, no Arizona capturou suas primeiras imagens no dia 22 de outubro, através de seus 5.000 “olhos” de fibra óptica apontadas para o céu noturno. Foi o primeiro teste do instrumento espectroscópico de energia escura, conhecido como DESI.

O instrumento foi projetado para explorar o mistério da energia escura, que compõe cerca de 68% do universo e está acelerando sua expansão. Os componentes do DESI são projetados para apontar automaticamente para conjuntos pré-selecionados de galáxias, reunir sua luz e depois dividi-la em faixas estreitas de cores para mapear com precisão sua distância à Terra e medir o quanto o universo se expandiu enquanto essa luz viajou até nós. Em condições ideais, o DESI pode observar um conjunto de 5.000 galáxias a cada 20 minutos.

Figura 1: Visão das galáxias e outros objetos coletados por uma série de pesquisas em preparação para o DESI. Créditos da imagem: DESI Legacy Imaging Surveys.

O marco mais recente foi a realização dos testes finais do DESI em direção ao início formal das observações no início de 2020. Como uma poderosa máquina do tempo, o DESI examinará profundamente o desenvolvimento inicial do universo – cerca de 11 bilhões de anos atrás – para criar o mapa 3D mais detalhado do mesmo.

Ao mapear a distância para 35 milhões de galáxias e 2,4 milhões de quasares em um terço da área do céu ao longo de cinco anos, o DESI nos ensinará mais sobre energia escura. Os quasares, entre os objetos mais brilhantes do universo, permitem que o DESI observe profundamente o passado do universo. O DESI fornecerá medições muito precisas da taxa de expansão do universo. A gravidade diminuiu essa taxa de expansão no universo primitivo, embora a energia escura tenha sido responsável por acelerar sua expansão em tempos mais recentes.

“Depois de uma década de planejamento, instalação e montagem, estamos muito satisfeitos que a DESI possa começar em breve sua busca para desvendar o mistério da energia escura”, disse o diretor do projeto, Michael Levi, do Departamento de Energia do Lawrence Berkeley National Laboratory (Berkeley Lab), a principal instituição envolvida na construção e operação do instrumento. “A maior parte da matéria e energia do universo é sombria e desconhecida, e experimentos da próxima geração são nossa melhor aposta para desvendar esses mistérios”, acrescentou Levi. “Estou emocionado ao ver esse novo experimento ganhar vida”.

“Com o DESI, estamos combinando um instrumento moderno com um venerável telescópio antigo para criar uma máquina de pesquisa de última geração”, disse Lori Allen, diretora do Observatório Nacional Kitt Peak no Laboratório National Optical-Infrared Astronomy Research.

O plano focal do DESI, que carrega 5.000 posicionadores robóticos (Figura 2) que giram em uma “dança coreografada” para se concentrar individualmente nas galáxias, fica no topo do telescópio. Esses pequenos robôs – cada um com um cabo de fibra óptica com a largura média de um cabelo humano que capta a luz – servem como olhos do DESI. Os posicionadores levam cerca de 2 segundos para girar para uma nova sequência de galáxias alvo, permitindo mapear cerca de 20 vezes mais objetos do que qualquer experimento anterior.

Figura 2: Plano focal totalmente instalado da DESI, que possui 5.000 posicionadores robóticos automatizados, cada um carregando um cabo de fibra óptica para reunir a luz das galáxias. Créditos da imagem: DESI Collaboration.

Entre as chegadas mais recentes ao Kitt Peak, está a coleção de espectrógrafos projetados para dividir a luz coletada em três faixas de cores separadas para permitir medições precisas de distância das galáxias observadas em uma ampla gama de cores. Esses espectrógrafos, que permitem que os olhos robóticos do DESI “vejam” até galáxias distantes e fracas, são projetados para medir o desvio para o vermelho, que é uma mudança na cor dos objetos para comprimentos de onda mais longos e vermelhos devido ao movimento dos objetos para longe de nós. Atualmente, existem oito espectrógrafos instalados, com os dois finais chegando antes do final do ano. Para conectar o plano focal aos espectrógrafos, localizados abaixo do telescópio, o DESI está equipado com cerca de 250 km de cabos de fibra óptica.

“Este é um momento muito emocionante”, disse Nathalie Palanque-Delabrouille, porta-voz do DESI e pesquisadora de astrofísica da Comissão de Energia Atômica da França (CEA), que participou do processo de seleção para determinar quais galáxias e outros objetos o DESI observará. “O instrumento está todo lá. Foi muito emocionante fazer parte disso desde o início”, disse ela. “Este é um avanço muito significativo comparado às experiências anteriores. Ao olhar para objetos muito distantes de nós, podemos realmente mapear a história do universo e ver do que o universo é composto olhando para objetos muito diferentes de diferentes épocas”. A instituição de Palanque-Delabrouille, CEA, contribuiu com um sistema de refrigeração especializado para otimizar o desempenho dos sensores de luz (conhecidos como CCDs ou dispositivos acoplados a carga) que permitem a ampla faixa de amostragem de cores da DESI.

Gregory Tarlé, professor de física da Universidade de Michigan (UM), liderou as equipes de estudantes que montaram os posicionadores robóticos para DESI e componentes relacionados disse que é gratificante chegar a um estágio no projeto em que todos os componentes complexos da DESI estão funcionando juntos. A universidade entregou um total de 7.300 posicionadores robóticos, incluindo peças de reposição. Durante o pico de produção, as equipes produziam cerca de 50 posicionadores por dia. “Foi um processo e tanto”, disse Tarlé. “Estávamos no limite de precisão para essas peças de produção.”

Os posicionadores foram instalados nas pétalas do plano focal no Berkeley Lab e, após a montagem e o teste, as pétalas concluídas foram enviadas para Kitt Peak e instaladas uma de cada vez no Telescópio Mayall.

Figuras 3 e 4: Máquina utilizada para instalar uma “pétala” em forma de cunha no plano focal da DESI, instalado no Telescópio Mayall, no Observatório Nacional Kitt Peak, perto de Tucson, Arizona. Créditos da imagem: Christian Soto.

Agora que o trabalho duro de construir o DESI está em grande parte concluído, Tarlé disse que está ansioso pelas descobertas do DESI. “Quero descobrir qual é a natureza da energia escura”, disse ele. “Finalmente, tentamos realmente entender a natureza dessas coisas que dominam o universo.”

A colaboração DESI tem participação de quase 500 pesquisadores em 75 instituições em 13 países. Do Brasil participam seis pesquisadores graças ao apoio do LIneA e do INCT do e-Universo.

LIneA e o INCT do e-Universo tem como missão apoiar a participação de pesquisadores associados a instituições brasileiras em grandes levantamentos astronômicos, como os projetos Dark Energy Survey (DES), Sloan Digital Sky Survey (SDSS), Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), e o LargeSynoptic Survey Telescope (LSST). O LIneA, criado em 2010, é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). As atividades do LIneA vem sendo apoiadas ao longo dos anos pelo MCTIC, FINEP, FAPERJ, FAPERGS e a FAPESP. O programa INCT tem o apoio do CNPq, CAPES, e FAPERJ.




29 de outubro de 2019

INCT do e-Universo e Planetário-RJ realizaram ciclo de palestras

A Fundação Planetário do Rio de Janeiro e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do e-Universo (INCT do e-Universo) realizaram, no Planetário do Rio de Janeiro, um ciclo de palestras sobre atualidades astronômicas durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2019. Este evento fez parte das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2019.

Os temas foram relacionados com os estudos efetuados em diversos programas observacionais internacionais que são apoiados pelo INCT do e-Universo. As palestras duraram de 30-40 minutos. O ponto alto foi que após as mesmas os palestrantes estiveram disponíveis para responder perguntas e conversar informalmente com os ouvintes. Tivemos seções de perguntas por mais de uma hora, feitas por uma platéia bastante curiosa sobre as novidades apresentadas.

Programa:

21 de outubro (2ª feira): A escuridão do Universo – Marcio Maia

22 de outubro (3ª feira): Os confins do sistema solar – Julio Camargo

23 de outubro (4ª feira): Revelando segredos da Via Láctea – Adriano Pieres

24 de outubro (5ª feira): Um novo mensageiro sideral: ondas gravitacionais – Ricardo Ogando

LIneA e o INCT do e-Universo tem como missão apoiar a participação de pesquisadores associados a instituições brasileiras em grandes levantamentos astronômicos, como os projetos Dark Energy Survey (DES), Sloan Digital Sky Survey (SDSS), Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), e o LargeSynoptic Survey Telescope (LSST). O LIneA, criado em 2010, é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). As atividades do LIneA vem sendo apoiadas ao longo dos anos pelo MCTIC, FINEP, FAPERJ, FAPERGS e a FAPESP. O programa INCT tem o apoio do CNPq, CAPES, e FAPERJ.

A escuridão do Universo - Marcio Maia

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A escuridão do Universo - Marcio Maia




21 de outubro de 2019

Afiliados ao LIneA participam de evento sobre ciência planetária na Suiça

Organizado pela Sociedade Planetária Européia (Europlanet Society) em parceria com a Sociedade Astronômica Norte Americana (American Astronomical Society – AAS), a conferência conjunta EPSC – DPS (European Planetary Science Congress – Division for Planetary Sciences) ocorreu entre os dias 15 e 20 de setembro de 2019 em Genebra, na Suíça. Reuniram-se no Centro Internacional de Conferências de Genebra (CICG) um total de 1.730 pesquisadores de 52 diferentes países. O programa do evento contou com 58 sessões orais, 2 sessões dedicadas para apresentação de pôsteres e cerca de 40 workshops. Dentre os principais temas discutidos no evento estão: Large Synoptic Survey Telescope (LSST), estudo de objetos interestelares, desenvolvimento de novos instrumentos, entre outros.

Figura 1: cerimônia de abertura do evento. Créditos da imagemPrasanna Deshapriya.

No evento foram apresentados os resultados mais recentes e trabalhos em andamento nas diversas áreas dentro das ciências planetárias, além de discutir o futuro destas linhas de pesquisas. Aos participantes, foram também proporcionadas oportunidades de conhecer e interagir com as pessoas responsáveis pelo planejamento e desenvolvimento de novas missões espacias para exploração de corpos do Sistema Solar, bem como discutir questões em aberto no desenvolvimento de grandes levantamentos, como o LSST. Além do programa para divulgação de resultados científicos, foram organizados eventos abertos à comunidade, com sessões que trataram das mulheres na ciência planetária, como construir uma careira nas ciências planetárias, entrega de primiações, entre outros.

Figura 2: sessão sobre o Large Synoptic Survey Telescope (LSST). Créditos da imagem: Colin Cnodgrass.

LIneA foi representado neste evento pela doutoranda Flavia L. Rommel, com a apresentação de um pôster (Figura 3) sobre a astrometria de objetos Centauros e Transnetunianos TNOs) usando dados de ocultações estelares. A apresentação deste trabalho contou com o apoio do INCT e visa demonstrar a precisão astrométrica alcançada a partir de dados vindos de ocultações de estrelas por TNOs e Centauros (Pequenos corpos localizados na região externa do Sistema Solar). Esta acurácia é comprovada quando utilizamos estas posições para atualizar as efemérides e prever novas ocultações estelares por estes corpos.

Figura 3: apresentação do pôster pela doutoranda Flavia L. Rommel. Créditos da imagem: Damya Souami.

Resultados recentes vindos das ocultações estelares por Varda (TNO) e por 2003 VS2 (Benedetti-Rossi et al. 2019) foram apresentados pelos pesquisadores Felipe Braga Ribas e Gustavo Benedetti Rossi, respectivamente (também afiliados ao LIneA).

Figura 4: sessão apresentada pelo colaborador Felipe Braga Ribas. Créditos da imagem: Josselin Desmars.
Figura 5: sessão apresentada pelo colaborador Gustavo Benedetti Rossi. Créditos da imagem: Josselin Desmars.

LIneA e o INCT do e-Universo tem como missão apoiar a participação de pesquisadores associados a instituições brasileiras em grandes levantamentos astronômicos, como os projetos Dark Energy Survey (DES), Sloan Digital Sky Survey (SDSS), Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), e o LargeSynoptic Survey Telescope (LSST). O LIneA, criado em 2010, é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). As atividades do LIneA vem sendo apoiadas ao longo dos anos pelo MCTIC, FINEP, FAPERJ, FAPERGS e a FAPESP. O programa INCT tem o apoio do CNPq, CAPES, e FAPERJ.




14 de outubro de 2019

A astrometria dos satélites galileanos por métodos alternativos

No dia 19 de setembro de 2019 o doutorando Bruno Eduardo Morgado, bolsista CAPES e afiliado ao LIneA, defendeu sua tese no Observatório Nacional (ON-MCTIC), no Rio de Janeiro. A tese intitulada “Estudo Astrométrico dos Satélites Galileanos de Júpiter” teve como objetivo desenvolver e analisar técnicas alternativas para obter uma astrometria de precisão dos quatro maiores satélites de Júpiter – Io, Europa, Ganímedes e Calisto. Além de analisar estas técnicas alternativas esse projeto obteve centenas de posições precisas que irão auxiliar nos estudo dos movimentos destes satélites naturais, além de auxiliar nos preparativos das missões espaciais JUICE (ESA) e Europa Clipper (NASA).

Figura 1: Júpiter, Io e Europa, observação feita de um telescópio de 60 cm equipado com um filtro metano. Créditos da imagem: Bruno Morgado.

Este projeto analisou quatro técnicas alternativas: Os fenômenos mútuos, as aproximações mútuas, uma ocultação estelar e a técnica de combinação de imagens. E para isso foram organizadas três campanhas observacionais entre 2014 e 2019. Este projeto contou com observações feitas em 10 telescópios com aberturas entre 25 e 120 cm em diversos países. Os observatórios participantes estão ilustrados na Figura 2.

Figura 2: Mapa das estações que fizeram observações dentro das campanhas deste projeto. Crédito da imagem: Bruno Morgado.

Este projeto resultou na análise de 73 fenômenos mútuos, 127 aproximações mútuas, 1 ocultação estelar e dez conjuntos de dados utilizando a técnica da combinação de imagens. Quatro artigos contendo estes resultados foram publicados em revistas internacionais. Maiores detalhes podem ser encontrados nas matérias sobre a campanha dos fenômenos mútuos, a campanha das aproximações mútuas e a campanha sobre a ocultação estelar pelo satélite galileano Europa.

A banca avaliadora foi composta por Dr. Roberto Vieira Martins (orientador, ON-MCTIC e LIneA), Dr. Alvaro Augusto Alvarez Candal (ON-MCTIC), Dr. Fernando Virgilio Roig (ON-MCTIC), Dr. Ramachrisna Teixeira (IAG-USP) e Dr. Adrian Rodriguez Colucci (OV-UFRJ), os membros suplentes da banca foram Dr. Rodney da Silva Gomes (ON-MCTIC e LIneA) e Dr. Nelson Callegari Júnior (UNESP-Rio Claro).

Figura 3: Da esquerda para a direita: Dr. Roberto Vieira Martins (orientador), Dr. Bruno Morgado, Dr. Alvaro Augusto Alvarez Candal, Dr. Fernando Virgilio Roig e Dr. Adrian Rodriguez Colucci. Créditos da imagem: Bruno Morgado.

Este projeto reforça a importância da colaboração entre diversos institutos, incluindo também observadores amadores. O recém formado Dr. Bruno Morgado é participante do Transneptunian Occultation Network (TON), que é apoiado também pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do e-Universo (INCT do e-Universo).

LIneA e o INCT do e-Universo tem como missão apoiar a participação de pesquisadores associados a instituições brasileiras em grandes levantamentos astronômicos, como os projetos Dark Energy Survey (DES), Sloan Digital Sky Survey (SDSS), Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), e o LargeSynoptic Survey Telescope (LSST). O LIneA, criado em 2010, é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). As atividades do LIneA vem sendo apoiadas ao longo dos anos pelo MCTIC, FINEP, FAPERJ, FAPERGS e a FAPESP. O programa INCT tem o apoio do CNPq, CAPES, e FAPERJ.




10 de outubro de 2019

Ciclo de palestras “Astronomia ao entardecer”

A Fundação Planetário do Rio de Janeiro e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do e-Universo ( INCT do e-Universo) convidam para um ciclo de palestras sobre atualidades astronômicas a ser realizado durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2019. Os temas estão relacionados com os estudos efetuados em diversos programas observacionais internacionais que são apoiados pelo INCT do e-Universo. As palestras terão duração de 30-40 minutos, e após as mesmas o palestrante estará disponível para responder perguntas e conversar informalmente com os ouvintes. O evento é gratuito e não precisa de inscrição.

Programa:

21 de outubro (2ª feira): A escuridão do Universo – Marcio Maia

22 de outubro (3ª feira): Os confins do sistema solar – Julio Camargo

23 de outubro (4ª feira): Revelando segredos da Via Láctea – Adriano Pieres

24 de outubro (5ª feira): Um novo mensageiro sideral: ondas gravitacionais – Ricardo Ogando

Local: Planetário do Rio de Janeiro (Rua Vice-Governador Rúbens Berardo, 100 – Gávea).

Horário: 19h30min