Brasileiros organizam campanha para observação de satélites de Júpiter

03 de outubro de 2019 | LIneA

A cada 6 anos, a Terra e o Sol passam pelo plano da órbita dos satélites principais de Júpiter. Nestas ocasiões ocorrem, para os observadores na Terra, eclipses e ocultações mútuas dos satélites. Entre outubro 2014 e julho de 2015 Júpiter esteve nessa configuração específica. A Figura 1 contém um conjunto de imagens de uma ocultação mútua entre Io e Calisto que aconteceu em novembro de 2014, nestas imagens Calisto encobriu Io aproximadamente às 06:01 UTC.

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Figura 1: Ocultação mútua entre os satélites Io e Calisto em 02 de novembro de 2014. Crédito da imagem: Astronomy Picture of the Day (APOD).

Para analisar estes eventos é medida a variação do fluxo de luz ao longo do tempo, gerando o que é conhecido como uma curva de luz. Da análise das curvas de luz destes eventos são obtidos com precisão os parâmetros geométricos ligados ao movimento relativo dos satélites envolvidos. A Figura 2 contém o modelo de uma ocultação mútua e a respectiva curva de luz modelada.

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Figura 2: Modelo da ocultação mútua entre os satélites Europa e Io em 22 de fevereiro de 2015. Crédito da imagem: Bruno Morgado

Em trabalho aceito para publicação no Planetary and Space Science, o doutorando Bruno Morgado (Observatório Nacional e LIneA) e colaboradores apresentaram os resultados da campanha brasileira dos fenômenos mútuos de 2014-2015 e uma re-análise dos eventos de 2009. Os resultados obtidos contaram com 47 observações em 2014-2015 e a precisão alcançada foi da ordem de 30 km na posição relativa entre os satélites. Estas posições podem melhorar o conhecimento das órbitas e efemérides dos satélites galileanos e, portanto, ser útil para o planejamento de futuras missões espaciais, como a missão JUICE (ESA) e Europa Clipper (NASA). O artigo completo também pode ser encontrado no Arxiv.

Esta campanha é uma colaboração nacional e contou com observações feitas em  três telescópios, com aberturas entre 25 e 60 cm: o Observatório do Pico dos Dias (OPD), o Polo Astronômico Casimiro Montenegro Filho e o Gaturamo Observatório Astronômico (GOA). Ela reforça tambem a importância da colaboração entre diversos institutos, incluindo observadores amadores. O doutorando Bruno Morgado é bolsista CAPES e é participante do Transneptunian Occultation Network (TON), que é apoiado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do e-Universo (INCT do e-Universo).

O LIneA e o INCT do e-Universo têm como missão apoiar a participação de pesquisadores associados a instituições brasileiras em grandes levantamentos astronômicos, como os projetos Dark Energy Survey (DES), Sloan Digital Sky Survey (SDSS), Dark Energy Spectroscopic Instrument ( DESI), e o Large Synoptic Survey Telescope (LSST). O LIneA, criado em 2010, é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). As atividades do LIneA vêm sendo apoiadas ao longo dos anos pelo MCTIC, FINEP, FAPERJ, FAPERGS e a FAPESP. O programa INCT tem o apoio do CNPq, CAPES, e FAPERJ.

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