Levantamento DES discute efeitos cosmológicos no Universo local

18 de julho de 2018 | LIneA

Nos dias 27 a 29 de junho ocorreu a reunião de trabalho Near-Field Cosmology with the Dark Energy Survey’s DR1 and Beyond realizada na Universidade de Chicago, EUA. A reunião foi promovida pela universidade, pelo Kavli Institute for Cosmological Physics (KICP), e pelo levantamento Dark Energy Survey ( DES).

evento reuniu em torno de 60 pesquisadores interessados (ver Figura 1), como o próprio nome diz, no volume local do Universo (praticamente a Via-Láctea e seu entorno) cobrindo temas como: busca por galáxias anãs satélites da Via Láctea, correntes estelares, limites da Via Láctea, integração entre levantamentos, bem como divulgar a pesquisa que se pode fazer com a primeira liberação de dados públicos do DES. O programa está disponível e pode efetuar-se o download da maioria das apresentações. Alguns trabalhos sobre a estrutura em grande escala, como a distribuição de galáxias em vários intervalos de distâncias, também foram apresentados. Outros versaram sobre demonstração de acesso e manuseio de dados, como as apresentações de Matias Carrasco Kind (DES), Eddie Schlafy (NOAO datalab) e Robert Nikutta (NOAO).

Dentre outras apresentações, podemos destacar a do prof. Jo Bovy, sobre a cinemática da Galáxia. Ele resumiu resultados de mais de uma década de estudo sobre a Galáxia, como a descoberta da velocidade solar acima da média, o efeito da barra na cinemática estelar, estudos sobre a distribuição dos elementos alfa em relação à metalicidade e outros.

INCT do e-Universo apoiou a participação neste evento de um de seus pós-doutorandos, Adriano Pieres. O trabalho apresentado foi desenvolvido em conjunto com outros pesquisadores e versou sobre o ajuste de parâmetros do disco espesso e do halo da Via-Láctea, utilizando modelos estelares de Padova (ver Figura 2). Houve interesse da platéia por este trabalho, pois há falta de modelos que descrevam bem, não apenas a contagem de estrelas, mas também as suas distribuições de cores e metalicidades. Mostramos resultados envolvendo a subtração de modelo, onde várias correntes estelares descobertas no levantamento Sloan Digital Sky Survey (SDSS) podem ser vistas claramente.

O time de organizadores do evento foi feliz em reunir pessoas de várias áreas com conhecimentos. Assim, os intervalos foram sempre de muitas discussões e interação entre os participantes. A intenção do evento também foi a de divulgar os dados do levantamento DES para pesquisadores que não tem acesso ou conhecimento de como podem se acessados. Foram apresentadas algumas comparações entre os dados não-públicos e os públicos do levantamento DES. Ênfase foi dada para o manuseio remoto dos dados, ao invés do tradicional acesso, query e download, o que parece ser realmente o tópico em voga, principalmente para os grandes levantamentos.

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Figura 1 – Parte dos integrantes do encontro posaram para uma foto em frente às rochas no pátio da University of Chicago. Crédito da imagem: Dark Energy Survey

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Figura 2 – Os campos (retângulos em preto) amostrados para a comparação com modelos, estando o céu todo em uma projeção cartesiana, junto com o contorno dado pelo campo do Dark Energy Survey (linha sólida). Os campos em branco são regiões “proibidas” para a comparação, pois são campos povoados com estrelas de correntes estelares (representados por traços coloridos) ou campos muito próximos do equador Galáctico. Na inserção (acima, à direita) se pode ver o modelo (retângulo mais à esquerda) e o campo amostrado pelo DES (retângulo mais à direita). O número acima na inserção mostra o número de estrelas ajustada pelo modelo aos dados. Crédito da imagem: A.Pieres.

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