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15 de julho de 2019

Imagens do levantamento Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) são disponibilizadas

Foram necessários três levantamentos do céu – realizados em telescópios em dois continentes, cobrindo um terço do céu visível e exigindo quase mil noites de observação – para se preparar para um novo projeto que criará o maior mapa 3D das galáxias do universo e obterá novos insights sobre sua expansão acelerada. Esse projeto do Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) explorará esta expansão do universo, impulsionada por uma misteriosa propriedade conhecida como energia escura, em grande detalhe. As pesquisas, encerradas em março, acumularam mais de 1 bilhão de galáxias e são essenciais na seleção de objetos celestes para serem alvos do DESI.

O último lote de dados de imagem dessas pesquisas, conhecido como DR8, lançado publicamente dia 30 de maio, e uma ferramenta on-line do Sky Viewer  fornece um tour virtual (Figura 1) desses dados. Os cientistas selecionarão cerca de 33 milhões de galáxias e 2,4 milhões de quasares do maior conjunto de objetos fotografados nas três pesquisas. Os quasares são os objetos mais brilhantes do universo e acredita-se que eles contêm buracos negros supermassivos. O DESI irá direcionar estes objetos selecionados para várias medições após o início das observações espectroscópicas, programadas para este ano. Em 2018 já tinham sido realizadas simulações com o espectrógrafo do projeto DESI (confira a notícia na íntegra).

Figura 1: Captura de tela que mostra uma pequena região do céu nas proximidades da galáxia UGC 10041 com imagens da Dark Energy Camera Legacy Survey (DECaLS). Créditos da imagem: Dustin Lang / Universidade de Toronto.

Além disso, o DESI medirá vários comprimentos de onda diferentes (conhecidos como espectro) de um conjunto selecionado de galáxias, e tais medições fornecerão detalhes sobre sua distância e velocidade em relação a Terra. Uma coleção de 5 mil robôs giratórios apontará para conjuntos de objetos celestes pré-selecionados para coletar sua luz (veja um vídeo) e dividir em cores diferentes, usando uma série de dispositivos chamados espectrógrafos.

Os três levantamentos de imagens para o DESI incluem:

  • Mayall z-band Legacy Survey (MzLS), realizado no Telescópio Mayall no Observatório Nacional Kitt Peak da National Science Foundation (NSF), perto de Tucson, Arizona, durante 401 noites.
  • Dark Energy Camera Legacy Survey (DECaLS) no Telescópio Victor Blanco no Observatório Interamericano Cerro Tololo da NSF no Chile, que durou 204 noites.
  • Beijing-Arizona Sky Survey (BASS), que usou o telescópio Bok do Observatório Steward no Observatório Nacional Kitt Peak e durou 375 noites.

O cientista David Schlegel, do Lawrence Berkeley National Laboratory (Berkeley Lab), do Departamento de Energia dos Estados Unidos, disse que equipes de pesquisa no local serviram como uma espécie de função de “salva-vidas”. “Quando algo dava errado, eles estavam lá para consertar – para manter os olhos no céu”, e os pesquisadores trabalhando remotamente também ajudaram na solução de problemas.

Um novo software projetado para os levantamentos do DESI e equipamentos de posicionamento precisos nos telescópios ajudou a automatizar o processo de captura de imagens, definindo o tempo de exposição e filtros e compensando distorções atmosféricas e outros fatores que podem afetar a qualidade de imagem. Durante uma noite produtiva, era comum produzir cerca de 150 a 200 imagens para o levantamento do DECaLS.

Os dados das pesquisas foram encaminhados para computadores do National Energy Research Scientific Computing Center (NERSC) do Berkeley Lab, que será o principal depósito de dados do DESI. Segundo o cientista Arjun Dey, mais de 100 pesquisadores participaram de turnos noturnos para realizar as pesquisas. Dey serviu como um cientista líder para a pesquisa MzLS e um cientista co-líder na pesquisa DECaLS com Schlegel. “Estamos construindo um mapa detalhado do universo e medindo sua história de expansão nos últimos 10 a 12 bilhões de anos”, disse Dey. Ele ainda afirmou que o experimento DESI representa o mais detalhado experimento de cartografia cósmica realizado até hoje. Embora a imagem tenha sido realizada para o projeto DESI, os dados estão disponíveis publicamente para que todos possam aproveitar o céu e explorar o cosmos.

LIneA é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), criado com a finalidade de dar suporte à participação brasileira em levantamentos astronômicos. O LIneA e o INCT do e-Universo também apoiam brasileiros participantes de grandes levantamentos astronômicos, como o projeto DESI, o DES e o LSST.




28 de junho de 2019

A primeira ocultação estelar pela lua galileana Europa

A lua Europa é a segunda mais interna das luas galileanas de Júpiter. Ela foi descoberta por Galileu em 1610 e atualmente tem despertado o interesse da comunidade científica. Acredita-se que no interior dessa lua existe um oceano de água sob sua superfície congelada, e este modelo é respaldado por observações de gêysers que foram detectadas pela sonda Galileo e pelo Hubble Space Telescope. Motivados pelo interesse em melhor entender as luas galileanas, duas sondas espaciais estão em desenvolvimento para serem enviadas para esse sistema: a JUICE, da ESA, e a Europa Clipper, da NASA, que possuem lançamento previsto para a metade da próxima década.

Figura 1 – Imagem obtida em 7 de setembro de 1996 pela sonda espacial Galileo. Créditos da imagem: NASA/JPL/DLR .

A partir de ocultações estelares é possível determinar o tamanho e a forma do objeto ocultador com uma precisão de poucos quilômetros. Além disso, determina-se no céu a posição do objeto que ocultou a estrela com uma precisão sem precedentes quando falamos de observações de solo. A técnica de ocultação estelar se baseia em medir o fluxo de luz de um objeto do sistema Solar conforme este objeto passa na frente de uma estrela. No contexto das luas galileanas, essa técnica é capaz de nos auxiliar a entender melhor a forma 3D deste satélite natural. Pequenas deformações dão mais pistas quanto a viscosidade e estrutura mais interna da lua. A posição espacial é também determinada com grande precisão, e será utilizada para entender melhor o seu movimento em torno de Júpiter. Entretanto, para observar estas ocultações por uma dessas luas, a estrela ocultada precisa ser brilhante, fazendo com que eventos adequados sejam raros. Essa raridade é em parte solucionada uma vez que Júpiter possui atualmente a região central da Via Láctea como plano de fundo. Essa região possui um grande número de estrelas brilhantes, o que aumenta as chances de eventos adequados.

Figura 2 – Representação esquemática de uma ocultação estelar, onde um corpo opaco entra em frente a uma estrela criando uma região de sombra da estrela na Terra, por um certo intervalo de tempo, podendo determinar com precisão o tamanho, a forma e a posição do corpo ocultador. Créditos da imagem: IOP Science.

Foi identificado que em 31 de março de 2017 a lua Europa ocultaria uma estrela de magnitude 9,5. A predição foi realizada pelo doutorando Bruno Morgado, bolsista CAPES, vinculado ao LIneA, que junto a outros colaboradores organizou uma campanha internacional para a observação deste evento, e em três sítios as observações foram bem-sucedidas (Figura 3a). Com estas observações os autores foram capazes de determinar o tamanho e a forma da lua Europa com uma precisão melhor que 5 km e uma posição com precisão melhor que 3 km (Figura 3b). Estes resultados são rivalizados apenas por observações de sondas espaciais. Os autores também apresentam as predições dos eventos que irão ocorrer entre 2019 e 2021. Este trabalho foi publicado como uma letter no Astronomy & Astrophysics (A&A). O trabalho completo pode ser encontrado aqui.

Figura 3 – À esquerda, mapa da ocultação estelar por Europa observada em 31/03/2017. Pontos em azuis marcam os observatórios que foram capazes de observar o evento e em amarelo os observatórios que tiveram problemas climáticos. À direita, as três cordas determinadas e o ajuste da forma de Europa. Créditos da imagem: Bruno Morgado.

Esta campanha é uma colaboração internacional e contou com a participação de nove telescópios com aberturas entre 25 e 100 cm no Brasil, no Chile e na Venezuela. Ela reforça a importância da colaboração entre diversos institutos, incluindo também observadores amadores. O doutorando Bruno Morgado é participante do Transneptunian Occultation Network (TON), que é apoiado também pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do e-Universo (INCT do e-Universo). O LIneA é apoiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).




11 de junho de 2019

LIneA em números

O INCT do e-Universo e o LIneA cobrem um conjunto de atividades.  Entre elas: gestão, desenvolvimento de software, operação de um centro de processamento, serviços, apoio a colaborações científicas, formação de pessoal e divulgação. Abaixo são apresentados números e figuras que procuram resumir os resultados durante o ano de 2018. Maiores detalhes podem ser encontrados no relatório LIneA/INCT de 2018.

 

Informações Gerais

Membros registrados 102
Instituições nacionais com afiliados apoiados 12
Instituições internacionais com afiliados apoiados 3
Colaborações internacionais apoiadas 5
Total de investimentos em 2018 (INCT) R$ 1.137k

Figura 1 – Fração de membros do LIneA em cada categoria como indicado na figura. Como pode ser visto 60% dos membros são jovens pesquisadores.

Figura 2 – Galeria com fotos de alguns dos pesquisadores contratados. A galeria completa pode ser encontrada no site do LIneA.

 

Desenvolvimento de Software

Projetos em andamento 10
Número de FTEs 5,9
Número de sprints 24
Número de tarefas 3.173
Esforço em horas 9.375
Número de pipelines no portal 62

Figura 3 – Captura de tela do dashboard do portal científico do DES listando todos os processos executados para um dado conjunto de dados. São mais de 60 pipelines disponíveis no ambiente de produção. Estes estão divididos em diferentes estágios que inclui o estágio de preparação de catálogos de valor agregado prontos para a análise que alimentam workflows científicos.

Figura 4 – Captura de tela do dashboard portal sendo desenvolvido para a predição de ocultação para o estudo de pequenos corpos do sistema solar.

 

Centro de Processamento

Número de FTEs 4,2
Registrados LDAP 155
Poder computacional disponível 8,2 TFLOPs
Capacidade de armazenamento disponível 1 PB  
Fração de tempo das máquinas disponível 87%
Volume de dados importados em 2018 12 TB
Volume de dados exportados em 2018 0,5 TB
Volume total de dados armazenados 461 TB
Número de processos submetidos  via portal 14.889

Figura 5 – Foto do cluster Apollo 2000 adquirido pelo LIneA com recursos do INCT do e-Universo recentemente instalado no centro de processamento do LNCC.

 

Serviços

Número de tickets (Helpdesk) 1.329
Número de sessões do Zoom 321
Número de listas de mala direta 171
Número de sistemas de software do LIneA em operação no exterior 4
Número de sítios monitorados 8
Número de usuários do twiki 321
Número de visitas ao site do LIneA 37.240
Número de acessos NCSA 1.052
Número de acesso Fermilab 118
Número de acessos SkyServer 819
Número de ferramentas colaborativas disponibilizadas pelo LIneA 15
Número de sítios internacionais  acessados para transferência de dados 9

Figura 6 – Histórico mostrando o número de acessos ao LIneA Science Server desenvolvido pelo LIneA e disponível no NCSA desde Janeiro de 2018 para acesso aos dados do levantamento DES por colaboradores e o grande público. Foram mais de 1000 acessos por 278 usuários.

 

Colaborações científicas

Artigos (publicados, submetidos) 68, 28
Colaborações 5 (DES, DESI, LSST, SDSS, TON)
Pesquisadores 27
Pós-doutorandos 13
Estudantes 44

Figura 7 – Número de publicações em função do tempo. O rápido crescimento a partir de 2015 se deve ao DES que iniciou sua operação em 2013.

 

Formação de pessoal

Bolsas concedidas (INCT) 15
Webinars realizados 38
Lunch Talks realizados 18
Hackathons realizados 17
Teses de Mestrado defendidas 5
Participação em reuniões 27
Organização de reuniões internacionais 3

Figura 8 – Foto de grupo de algumas das reuniões que tiveram a participação de membros do LIneA/INCT. No canto superior esquerdo a reunião anual do LSST com a participação de cinco pesquisadores do LIneA, no canto superior direito a reunião organizada no Rio e transmitida pela internet sobre o LSST com a participação dos gerentes de dados e de comunicação do projeto. No canto inferior direito a reunião de design sprint organizada pela RNP para discutir a criação de um centro de suporte de e-ciência com a participação de seis membros do LIneA. No canto inferior direito a reunião UNESP (ICTP) organizada pelo vice-coordenador do INCT, sobre cosmologia na era do LSST com a participação de vários membros do LIneA. A participação de membros do LIneA teve o apoio parcial ou integral do INCT do e-Universo.

 

Divulgação

Número de notícias produzidas 62
eNews 8
Notícias postadas no Facebook 110
Número de seguidores no Facebook 379
Postagens no Twitter 96
Seguidores no Twitters 125

Figura 9 – Grupo do LIneA/INCT na semana de Ciência e Tecnologia.

Figura 10 – Exemplo de e-News circulada periodicamente agrupando notícias sobre o LIneA e o INCT do e-Universo.




30 de maio de 2019

Afiliados avaliam serviços do LIneA

Como parte do trabalho de preparação do LIneA para uma nova fase, como sugerido pelo Grupo de Trabalho indicado pelo MCTIC para avaliar o laboratório, no dia 13 de março foi solicitado aos seus aproximadamente 100 membros que respondessem a uma enquete cujo objetivo era ter uma radiografia das expectativas de seus filiados (para contribuir no planejamento estratégico e obter uma avaliação dos serviços prestados). A enquete contou com 19 perguntas, algumas objetivas e outras solicitando comentários. Foram recebidas 39 respostas, sendo mais da metade provenientes de jovens pesquisadores (estudantes de graduação até pós-doutorandos), vinculados em sua maioria ao projeto Dark Energy Survey (DES) seguido pelos projetos Large Synoptic Survey Telescope (LSST) e Transneptunian Occultation Network (TON), sendo o último uma colaboração franco-brasileira.

Daqueles que responderam a enquete, 87% se consideram bem informados das atividades do LIneA, embora apenas 41% liam os relatórios mensais preparados pela equipe técnica. Por outro lado, 85% se utilizam da ferramenta Slack, e 51% participam das reuniões semanais (all-hands) onde um relato das principais atividades administrativas, serviços e desenvolvimento de software é apresentado pelos responsáveis e onde é avaliado o sprint em andamento e discutidas prioridades do próximo sprint. Aparentemente o Slack é o principal mecanismo de comunicação entre os membros do LIneA com os seus mais de 90 canais.

A enquete também mostra uma boa participação (> 54%) nas reuniões gerais convocadas pelo LIneA como: Science Day, Planejamento estratégico, e LSST Week. 85% participam regularmente dos webinars nas quintas-feiras, 54% dos lunch talks da terça-feira, 49% das telecons internacionais e 39% do LIneA Science organizado quinzenalmente às sextas-feiras.

Ideias que aparentemente tiveram uma boa receptividade (> 74%) foram a sugestão de ter uma pessoa do time de TI diariamente disponível por Skype ou Zoom (para atender dificuldades dos membros) e a criação de um comitê de usuários que poderiam expor suas ideias e necessidades de uma forma mais direta ao time de TI. Mais de 69% demonstraram interesse de participar.

Dos serviços oferecidos pelo LIneA, as ferramentas colaborativas (72%) , o helpdesk (69%), o portal científico (41%), o repositório de código (39%), em particular github e o gitlab da RNP e o Jupyter hub (36%) são os mais usados. Entre as ferramentas colaborativas, as mais usadas são o Zoom, o Slack e o Overleaf, o que justifica o investimento sendo feito pelo INCT do e-Universo (com exceção do Slack, que apenas a versão grátis é usada).

A enquete também ofereceu a oportunidade de sugestões, perguntando por exemplo que outros serviços os participantes gostariam que o LIneA oferecesse, obtendo os seguintes comentários:

  1. Pacotes para jupyter notebooks que fossem completamente integrados com o banco de dados, possibilitando o fácil acesso a produtos do portal sem a necessidade de ter que serem exportados.
  2. Os serviços que tenho necessidade foram ‘pedidos’ como forma de projetos a ser desenvolvidos.
  3. Não tenho nenhuma ideia.
  4. Cursos EAD com certificado (ex.: Coursera).
  5. Os serviços atualmente oferecidos pelo LIneA satisfazem as necessidades do meu grupo.
  6. Mais eventos científicos locais.
  7. Nuvem para transferência de dados.
  8. Acho que o guarda-chuva de ferramentas está adequado.
  9. Dropbox.
  10. Nenhum outro em mente além daqueles já oferecidos.
  11. Não conheço todos ainda, difícil opinar nesse sentido.
  12. Tenho uma ideia que para futuro, se o LIneA armazenar os dados do SOAR, poderia ser fornecida uma pipeline de redução de dados para os instrumentos mais utilizados.
  13. O SOAR não disponibiliza nenhum ferramenta de redução de dados e caso o LIneA venha a fornecer esse serviço, certamente seria bastante utilizado pela comunidade astronômica brasileira.
  14. Sem comentários.
  15. Repensar o uso do Slack pois ele não mantém o histórico.
  16. Versão mais nova de zimbra.
  17. Slack com arquivamento de conversas mais antigas.
  18. No momento, não sei de nenhum.
  19. Para mim esta’ ok.
  20. Acesso aos cores e memórias (armazenamento, RAM) para processamento em paralelo, com equipe de TI dando apoio, mas sem necessariamente a exigência de interfaces web, como o portal. Disponibilização de catálogos science grade para download a partir do LIneA de forma facilitada.
  21. Ferramenta de modelagem de sistemas.
  22. Jira, Runrun.
  23. Acredito que os serviços oferecidos são suficientes.
  24. Ainda não possuo opinião formada sobre.
  25. Slack premium.
  26. Treinamentos em geral para enriquecer os recursos humanos.
  27. LIneA IT meeting, da mesma maneira que “LIneA science meeting” só que focado na parte de informática com aplicação a astronomia.
  28. Nada em específico.
  29. Por enquanto estou satisfeita com estes. Talvez a gente possa fazer pequenas oficinas para aprender algo novo, por exemplo sql.
  30. Não posso avaliar pois ainda não tenho vivência suficiente com os serviços já ofertados e portanto não posso sugerir um novo serviço.
  31. Não sei dizer ainda, pois estou há pouco tempo participando do LIneA.
  32. Palestras de ambientação para novos integrantes, periodicamente. Assim que cheguei aqui tive dificuldade de entender o que era exatamente o LIneA e qual o objetivo do trabalho que realizava.
  33. Suporte ao código do pesquisador com especialista da área.
  34. Entendo a filosofia do portal científico, mas gostaria de poder usar o poder de processamento do LIneA para rodar outros tipos de códigos, que não se aplicam diretamente ao uso portal e da colaboração, mas necessitam de infraestrutura para poder rodar.
  35. Jupyter hub acessando cluster de computadores.

Embora seja difícil sintetizar todos os comentários, algumas ideias importantes incluem a necessidade de melhorar a informação para novos membros, facilitar o uso da infraestrutura computacional para processamento genérico, métodos para facilitar a transferência de dados, melhor integração dos notebooks ao banco de dados, cursos de treinamento em novas tecnologias, e auxiliar na redução de imagens do SOAR, o que poderia ser feito usando um dos notebooks desenvolvidos pelo LSST e demonstrado na semana do LSST organizada pelo LIneA. Vários desses projetos já foram discutidos e detalhados durante o planejamento estratégico.

Uma maneira de integrar novos membros o LIneA ao longo de 2018 iniciou um programa de hack sessions e/ou tutoriais onde um tópico e escolhido para debate e na medida do possível códigos são escritos ou corrigidos com a participação de todos. Conforme a enquete, este programa já contou com a participação de 67% dos 39 membros que responderam a enquete, dos quais 82% já visitaram o LIneA. Existe ainda um amplo consenso (80%) que acha útil visitar o LIneA com as seguintes justificativas dadas na enquete:

  1. A interação pessoal é inigualável para se compreender como ocorre o funcionamento do LIneA e quem são as pessoas responsáveis pelas diversas tarefas realizadas.
  2. Melhorar os códigos desenvolvidos no LInea.
  3. A visita possibilitaria conhecer a infraestrutura e pessoal de TI do LIneA, embora julgue mais interessante visitas de estudantes.
  4. Já estou lotado fisicamente no LIneA mas acho a resposta muito útil para quem não conhece o LIneA. Um serviço de suporte ao visitante seria importante também.
  5. Principalmente para o estudantes. Para mim é difícil dispor de uma semana.
  6. A visita oferece uma noção mais exata do trabalho realizado em ciência e infraestrutura, além de uma maior clareza das necessidades para que tudo funcione como deve.
  7. Coloquei não, pois sou do Rio e estou sempre no LInea.
  8. É importante que todos os integrantes conheçam a infraestrutura física do LIneA e integrem o time participando as atividades desenvolvidas pelo LIneA.
  9. Acho que não se aplica a mim já que estou diariamente no LIneA.
  10. pois já estive no LInea em eventos específicos.
  11. Ver na prática as atividades e o dia-a-dia do LIneA.
  12. Visitas focadas são extremamente úteis, pela interação direta entre as equipes técnicas e científicas do LIneA.
  13. 1) A interação pessoal é fundamental para o desenvolvimento de tarefas em grupo. 2) Uma visita ao LIneA permite entender melhor a dinâmica de trabalho do laboratório e como trabalhar em conjunto com ela ainda estando remoto.
  14. É sempre uma oportunidade de alavancar trabalhos, em especial o que dependem de contato e infra-estrutura local. O mesmo argumento se estende a meus alunos, talvez mais do que a mim mesmo.
  15. Trabalho aqui.
  16. Para saber o que é e o que se faz de fato.
  17. Seria interessante para o desenvolvimento dos projetos e novas relações com os participantes.
  18. Para poder ao menos conhecer pessoalmente a parte central.
  19. Penso que isso deveria ser transformado em uma semana de colaboração científica ou técnica, com metas definidas, para justificar o custos e na medida do possível produzir algum resultado ou produto.
  20. Porque eu já estou nas instalações do LIneA.
  21. Acho que uma visita de um ou dois dias seria o suficiente para conhecer melhor o que acontece no LIneA (“hands on” digamos).
  22. Para discutir o entrosamento das necessidades do LineA e do meu time de trabalho.
  23. Para as pessoas de fora, sim.
  24. Sim, Seria muito rico ao visitante pode ver a dimensão que é todo trabalho do LIneA.
  25. Nas outras vezes que estive visitando, pude compreender e entender melhor como o LIneA funciona, além de sanar dúvidas diretamente com o pessoal.

Visitas como propostas estão sendo planejadas para o segundo semestre, sendo financiadas pelo INCT do e-Universo.

Outra questão relevante para o LIneA é o uso de sua documentação, com 70% respondentes afirmando que a usam mas sugerindo a produção de outros documentos, como:

  1. Guias explicativos. Tanto sobre questões técnicas como o portal científico quando sobre a participação nas colaborações científicas do LIneA e também sobre o próprio LIneA.
  2. Descrição de funcionamento do LIneA (siglas, o que são as reuniões, instituições, ferramentas disponíveis, etc).
  3. Um documento sobre o acesso, e primeiros passos ao entrar numa das colaborações que participa o Linea, como acessar DES, LSST, DESI, SDSS…
  4. Tutoriais em vídeo. Manuais com exemplos práticos.
  5. Julgaria interessante um resumo de todas os serviços e atividades realizadas pelo LIneA. Eu mesmo demorei algum tempo para me familiarizar com tudo o que o LIneA oferece.
  6. Documento curtos (3 páginas) do Portal enfatizando as diferenças entre os pipelines desenvolvidas pelo Linea, e os pipelines que ja existem, em diferentes repositórios das colaborações.
  7. Estrutura do LIneA e seus serviços. Quais os canais de comunicação e suas finalidades.
  8. Beginner’s guide e Developer’s guide oficiais.
  9. Nada me ocorre.
  10. Acesso a serviços e produtos, bem como utilizá-los.
  11. Um documento com uma lista dos serviços oferecidos e uma breve descrição do que cada um é capaz.
  12. Sobre pipelines e guias do portal.
  13. Como utilizar o portal científico.
  14. Howto’s e tutoriais sobre o ambiente computacional e sobre utilizá-lo.
  15. Códigos de exemplo que envolva as principais funcionalidades do portal. Ex: componente object_count.
  16. Begginner’s guide: i) Listagem do produtos do LIneA; ii) “Receitas” para a execução, produção de códigos ou desenvolvimento de produtos.
  17. A “developer’s guide” como compêndio de introdução e tutoriais no trabalho e interação habitual com a infraestrutura do LIneA.
  18. Manual de como usar os clusters e a politica de queueing.
  19. Um manual atualizado de como se tornar um membro, um usuário dos recursos computacionais e um desenvolvedor.
  20. Documentação de desenvolvimento de software.
  21. starter guide.
  22. Descrição dos padrões e processos de trabalho.
  23. Os manuais para desenvolver projetos na devel e posteriormente no site e informações sobre o que é necessário para ter acesso aos serviços/portais do LIneA.
  24. Guias de utilização dos softwares e serviços.
  25. Beginners guide.
  26. Um guia sobre estrutura e serviços do LIneA e como utilizar os serviços básicos.
  27. Developer’s Guide.
  28. Tutorias básicos a apresentação do que está disponível.
  29. Para os meus alunos iniciantes a documentação do Portal.
  30. Tutoriais em texto PDF e/ou vídeos que possibilite fornecer ao usuário iniciante ferramentas que o auxiliem no desenvolvimento de sua pesquisa. Em relação a minha experiência tal ferramenta incluiria programação e demais tópicos ligadas a ela: Linguagem de programação com aplicações para astrofísica e cosmologia.
  31. Não sei dizer ainda.
  32. Material de apoio para as palestras de ambientação propostas acima.
  33. Documentação sobre os serviços oferecidos.
  34. Manuais explicativos sobre o portal, devel, git, o cluster, e tudo mais que o LIneA oferece em termos de infraestrutura para um desenvolvedor.
  35. Introdução às ferramentas e logins.

Com as respostas recebidas, fica claro que um esforço tem que ser feito para facilitar a entrada de novos membros. Existe um consenso da necessidade de manual para iniciantes e mais tutoriais para o uso de suas máquinas, uso do portal e para se tornar um desenvolvedor. Documentos tratando desses assuntos já se encontram em preparação.

Outra questão colocada foi uma avaliação da qualidade do serviço de helpdesk, que sempre foi uma preocupação do LIneA, em particular pelo número reduzido de tecnologistas disponíveis. A figura 1 mostra a distribuição das notas dadas pelos respondentes seguido pelos comentários associados as notas.

Figura 1 – Distribuição de notas dada ao serviço de helpdesk do LIneA.

 

  1. A plataforma é muito bem construída e de fácil interação, mas às vezes o retorno e acompanhamento dos tickets são demorados.
  2. Sempre que precisei, a resposta foi rápida e o endereçamento do problema foi prontamente atendido.
  3. Atendimento eficiente.
  4. Ótimo serviço. Alguns tickets caem no esquecimento, mas são casos isolados.
  5. Necessitei poucas vezes (duas ou três) e fui prontamente atendido pelo time de TI.
  6. O serviço é eficiente. No entanto, há um grande trabalho por exemplo para instalar pacotes. Isso deveria ser mais fácil de instalar.
  7. Sempre fui atendido.
  8. Para mim, tem funcionado bem. Às vezes, alguma cobrança é necessária.
  9. Todas as dificuldades que tive e pedi ajuda ao helpdesk, obtive ajuda e foram solucionados os problemas.
  10. Utilizei o serviço algumas vezes e sempre obtive respostas rápidas e eficientes.
  11. Acredito que a demanda para solução de problemas é grande face o tamanho do time o que acaba gerando um backlog grande. Ajudaria se tivéssemos SLAs bem definidas.
  12. Sempre tive meus pedidos atendidos.
  13. Alguns tickets caem na vala. Demora de assignment. demora de resposta, seja ela qual for.
  14. Bom.
  15. Sempre tive pronta resposta para todos meus pedidos.
  16. Sempre resolveram meus problemas
  17. Raṕido, eficiente, com alta taxa de soluções.
  18. nunca usei – não consegui deixar em branco.
  19. sempre resolvido rapidamente.
  20. Sempre fui muito bem atendida e de forma rápida e clara.
  21. Sempre fui muito bem atendida e eles fazem até rápido pela demanda.
  22. Todas as demandas foram atendidas.
  23. Serviço bom, só algumas poucas vezes tem pequenos descuidos (falta de respostas por pequenos atrasos).
  24. Quando tive problemas fui atendido em pouco tempo.
  25. É efetivo na solução de problemas.
  26. Precisamos melhorar os procedimentos e criar acordos de nível de serviço para os diversos tipos de atendimento.
  27. Sempre estão dispostos a ajudar nos diversos problemas.
  28. Sempre foram atenciosos e ágeis para solucionar dúvidas e problemas.
  29. Time sobrecarregado.

A nota média é de 8,5, havendo o reconhecimento das dificuldades do time em poder cumprir as suas tarefas e ao mesmo tempo dar respostas às solicitações. Preocupante é alguns tickets ficarem sem resposta, por menor que seja o número. Medidas preventivas vão ser discutidas com a equipe de serviços.

Também muito positiva foi a avaliação do apoio dado pelo time de TI com um média de 8,6, calculada a partir da distribuição de notas mostrada na Figura 2. É importante enfatizar que este serviço é único e permite aos pesquisadores agilizar sua pesquisa, tendo alguém para responder perguntas e resolver problemas de TI.

Figura 2 – Distribuição de notas dada ao apoio dado pelo time de TI do LIneA.

Além da nota, é importante analisar os comentários abaixo, pois chamam a atenção dos pontos que devem ser melhorados. Também é importante salientar que os usuários reconheceram que o tamanho atual da equipe não é suficiente para atender a crescente demanda.

  1. Muito bom.
  2. Muito boa estrutura.
  3. Minhas demandas foram rapidamente atendidas pelo time de TI.
  4. Muita informação para o iniciante está escondida. Falta documentação ou a disseminação dessa informação.
  5. Sempre solícitos.
  6. Não tenho do que reclamar até o momento, dado o número limitado de pessoas.
  7. Todas as vezes que precisei auxílio, o time se mostrou eficiente e prestativo.
  8. O time está sempre disponível para dar apoio. A dificuldade porém é quando se é novo no linea e não se sabe bem a quem recorrer para problemas específicos.
  9. São muito eficientes para responder e resolver problemas.
  10. A definição de prioridades é complicada, mas um feed-back rápido é importante. Se houver dúvidas quanto a urgência, entrar em contato.
  11. Pessoal sempre solícito.
  12. Em termos operacionais é praticamente perfeito. Tem um ponto que acho seria interessante melhorar a futuro: Aperfeiçoamento do pessoal: Basicamente que o time estivesse em constante aperfeiçoamento nas suas respectivas áreas, High Performance Computing, Management, etc. retroalimentando as labores do LIneA.
  13. Coloquei uma nota mas nunca usei.
  14. Em se tratando do portal, eu mesmo já experimentei muitas dificuldades de instalar códigos. Nem sempre a priorização e cronograma estabelecidos para o time correspondem às minhas necessidades e a de meus alunos.
  15. No que diz respeito ao desenvolvimento do meu trabalho sempre pude contar com a colaboração de toda a equipe.
  16. Todos se esforçam.
  17. Acredito que todos estão sempre a disposição para ajudar os participantes.
  18. Estão sempre dispostos a ajudar e o trabalho tem um ambiente saudável.
  19. A equipe tem postura profissional e é determinada e solucionar as demandas que surgem mesmo com déficit de recursos humanos.
  20. Time muito bom, o único problema é a falta de tempo deles já que tem que se distribuir em diferentes projetos.
  21. Nunca tive problemas, mas acho que quando entrei (como estudante) não tinham muitos, ou não me foram mostrados, tutoriais básicos.
  22. Devido ao LineA participamos de grandes projetos que seriam inviáveis por conta própria.
  23. Apesar da nota 5 não posso avaliar pois ainda não tive a oportunidade de usar o apoio dado pelo time do LIneA.
  24. É uma equipe dedicada e esforçada.
  25. o time procurar manter um atendimento rápido e certeiro.
  26. Também posso dizer que sempre me dedicaram tempo para ajudar com qualquer tipo de problema.
  27. Time sobrecarregado.

A nota mais baixa (8,1) foi dada a infraestrutura computacional. A Figura 3 mostra a distribuição de notas para esta pergunta seguida, dos comentários individuais.

Figura 3 – Distribuição de notas dada a infraestrutura computacional do LIneA.

  1. A infraestrutura é muito boa mas há períodos imprevistos em que todo o sistema fica indisponível.
  2. muito instável.
  3. Atende satisfatoriamente. Não me sinto confortável em julgar pois não sou especialista.
  4. Não tive necessidade de realizar processamento junto aos computadores do LIneA. Somente utilizei o mirror do SDSS uma ou duas vezes. Os estudantes costumam baixar os dados e como os dados que utilizamos já estão processados, somente precisamos utilizar ferramentas de análise, que em geral requerem a interação com o usuário e podem ser executadas em Desktops.
  5. Instabilidade dos servidores, indisponibilidade recorrente.
  6. Acho que a infra-estrutura computacional do LIneA fica eclipsada pela curva de aprendizado muito longa para pipelines. Isso está mudando com os jupyteres notebooks, o que faz com que códigos sejam rapidamente implementados, embora de maneira e com finalidades diferente das pipelines. A infraestrutura é no meu entender, adequada. Obviamente poderia ser melhor, mas tendo em vista que é subutilizada, é adequada para o momento. Para o futuro (LSST) apenas testes podem concretizar estimativas.
  7. Note: tenho pouco servido-me dessa infraestrutura até o momento. A principal ferramenta de interesse para mim, a plataforma de pequenos corpos, ainda carece de testes de stress. Noto também o “crash” em HDs.
  8. Até onde tenho conhecimento, é suficiente.
  9. O portal científico de tempos a tempos sai do ar.
  10. Ainda não utilizei muito a infraestrutura computacional do LIneA.
  11. Ainda não temos soluções bem definidas para grande volume de dados. O modelo atual é complexo e envolve auxílio do time de TI para paralelizar os componentes que necessitam. No entanto, já temos fichas de projeto previstas para estas questões.
  12. Instabilidade do portal, apagões, e outros perrengues deixam vulnerável a operação e a dependência desta infraestrutura.
  13. Gostaria que houvesse um sistema de filas com regras mais claras.
  14. A infraestrutura e sua operabilidade é praticamente perfeita. Tem um ponto que acho poderia ser melhorado: Informar aos usuários e ao time de ciência da infraestrutura computacional que podem utilizar, para que casos específicos e sob que tipo de condições/requerimentos.
  15. Coloquei uma nota mas nunca usei.
  16. Sei que existe, mas atualmente me é quase inacessível, pois a maioria dos cores e memória exigem uma forma de uso via portal, o que vem resultando em dificuldades.
  17. eu não uso.
  18. Ainda precisa de melhorias.
  19. Não utilizei muito a infraestrutura, mas pelo pouco que utilizei acredito que seja adequada.
  20. Falta de máquinas, como por exemplo notebook.
  21. Embora ainda eu não tenha ainda necessidade de demanda computacional a estrutura é excelente e passa a ser referência com a chegada do novo cluster.
  22. Eu uso ICEX e Devel2 e achei muito bom para processamento.
  23. Para mim o único negativo foram as quedas do servidor.
  24. É muito boa, mas as vezes falha com os desligamentos das máquinas por algum fator externo.
  25. Apesar da nota 5 não posso avaliar pois ainda não tive a oportunidade de usar a infraestrutura computacional do LIneA.
  26. A escassez de recursos $$, a predominância do uso de ferramentas gratuitas e a necessidade de atendimento emergencial às demandas que foram surgindo criaram uma infraestrutura despadronizada, o que demanda maior esforço, mais conhecimento e jogo de cintura da enxuta equipe de operação. Para sermos um CAPDA precisamos tratar a infraestrutura como um dos componentes principais, considerando investimentos e tamanho de equipe adequados. Tenho plena ciência de todas as dificuldades de concessão de verbas e do cenário político que envolve isso tudo, mas temos que lutar por isso.
  27. E uma boa estrutura observado os problemas externos à ela.
  28. Ainda considero que sei pouco sobre a infraestrutura e gostaria de saber e usar mais. Já trabalhei com o portal, mas ainda sinto falta de ter mais autonomia e segurança para usar o cluster para rodar códigos relacionados a minha pesquisa.
  29. Problemas de conexão de internet ou falta de energia elétrica afetam o uso da infra. Máquinas saem da garantia, discos queimam, e não há muitas vezes possibilidade de rapidez na troca.

Revendo os comentários, a principal reclamação tem sido sobre os diversos problemas com a infraestrutura física (seja a rede, refrigeração ou a instabilidade na rede elétrica do LNCC). Em nenhum desses casos o LIneA tem governança. Os problemas de energia também acarretaram enormes prejuízos para o LINeA, com a queima de placas e discos de equipamentos sem contrato de manutenção. Isto levou a custos inesperados e a desativação de várias máquinas. A boa notícia é que novos investimentos foram feitos na infraestrutura do LNCC e o LIneA acaba de adquirir um novo clusterde processamento e se prepara para adquirir um novo sistema de armazenamento.

A nota mais alta (9,1) foi dada ao programa de webinars mantido pelo LIneA, elogiado pela sua qualidade. O LIneA considera esta série de grande importância e lembra que o webinar é disponível para toda a comunidade.

Figura 4 – Distribuição de notas dada aos webinars promovidos pelo LIneA.

  1. Os webinars são extremamente interessantes, com temas de diversas áreas e realizados por pesquisadores internacionais que estão na vanguarda da ciência.
  2. Muito interessantes.
  3. São sempre de alto nível. No último ano não consegui acompanhar muitos por ter compromissos no horário dos webinars.
  4. Os webinars são bem organizados e é algo que deve continuar. Esta forma de apresentação remota acho excelente, democrática, embora por vezes as pessoas são prejudicadas por baixa qualidade da rede, o que é irremediável por parte do LIneA.
  5. O horário acaba não sendo adequado para mim, mas são de ótima qualidade.
  6. São diversificados, de excelente qualidade, e atingem os diferentes projetos apoiados pelo LIneA.
  7. Todos aqueles que acompanhei foram úteis à minha formação.
  8. São muito bons. Porém sinto falta de mais discussões científicas.
  9. As palestras são de alto nível e bem organizadas, no entanto, poderia haver um maior envolvimento da comunidade astronômica brasileira.
  10. Acho que deveria ter webinars ou algo semelhante para o time de TI.
  11. Nem precisa.
  12. Considero que eh o melhor recurso de interação com a comunidade internacional tanto científica como de TI e uma fonte constante de motivação e atualização.
  13. Webinars são de excelente qualidade.
  14. De alto nível, sobre temas variados, bem anunciados. Só gostaria de que o sistema de acessibilidade aos talks gravados e apresentações melhorasse. Nem sempre encontro as apresentações e talks, apesar de que teoricamente deveriam estar na web do LIneA.
  15. Só participei de alguns – o que estão relacionados ao desenvolvimento de software.
  16. Nunca participei de um webinar, infelizmente.
  17. Super interessante termos sempre seminários ao longo do ano, com convidados do mundo inteiro.
  18. Os seminários são excelentes e neste aspecto a nota é máxima. Entretanto, para que os Webinars tenham maior alcance dentro e fora do LIneA se faz necessário expandir as áreas cobertas dentro da astronomia, que até o ano passado gravitavam em torno de astronomia galáctica e cosmologia. Mas estou atento ao fato de que diferentes sugestões já estão sendo providenciadas neste ano. Isso é importantíssimo para divulgar o instituto dentro de outras áreas que são potenciais usuários de serviços.
  19. Webinars muito bons, variados para as diferentes areas.
  20. Para mim (estudante) alguns webinars podem ser específicos demais e acabo entendendo pouco da apresentação.
  21. São dados pelos grandes cientistas que lideram os grandes projetos de cosmologia observacional. Que pena que este semestre não vou conseguir assistir devido a conflitos de horário.
  22. Apesar da nota 5 não posso avaliar pois ainda não tive a oportunidade de participar de muitos webinars.
  23. Acredito que são muito úteis para nossa comunidade científica.
  24. A maioria dos Webinars tem abordado informações novas e interessantes para mim.
  25. Grandes cientistas e assunto de alto nível técnico.
  26. Sempre bons pesquisadores com temas relevantes. Já aprendi com webinars e acho sempre proveitoso assistir.
  27. Deveriam respeitar a concorrência com outros eventos, como collaboration meetings.

Na enquete também foi solicitada uma auto-avaliação sobre a contribuição de cada um para o funcionamento do LIneA. A proposta tem sido até agora de uma cooperativa onde todos devem contribuir de alguma forma concreta na operação do laboratório. A Figura 5 mostra a distribuição das notas nesta auto-avaliação. Neste caso a nota média caiu para 7,7, de certa forma ajudando a calibrar as notas acima.

Figura 5 – Distribuição de notas dada pelos respondentes a sua participação no LIneA.

Seguem abaixo os comentários associados a auto-avaliação daqueles disponíveis:

  1. Creio que poderia conhecer melhor os serviços fornecidos no LIneA, melhorar minha participação em reuniões, e priorizar minha colaboração com o conteúdo científico.
  2. Desenvolvimento do portal.
  3. Minha atuação é muito intensa, mas poderia ser mais balanceada. Tenho fases de dedicação exclusiva ao LIneA e fases de dedicação exclusiva à pesquisa. Para o futuro, pretendo gerenciar melhor o tempo dedicado a cada tarefa.
  4. Tenho tentado me envolver com as atividades do LIneA, embora reconheça que ele represente uma mudança de paradigma em relação a ciência (mais individualista) que eu vinha executando até então. Tenho tentado envolver estudantes nas atividades do LIneA e da colaboração, além de me envolver em diversos projetos dentro do SDSS.
  5. Gostaria de poder me envolver mais.
  6. Sempre acho que poderia participar mais, em mais projetos, com mais contribuições.
  7. Cientificamente tenho drenado a maior parte da minha energia ao SDSS. Fico devendo no auxílio às atividades comissionadas.
  8. Tenho feito o melhor que consigo, mas reconheço a necessidade de contribuir mais.
  9. Ainda não consegui me inteirar dos serviços oferecidos pelo Linea a ponto de colaborar de forma significativa.
  10. Eu tento participar ativamente de todas as reuniões/projetos que fazem parte da minha área. Porém devo dizer que não consigo participar de tudo por que são muitas reuniões/muitos projetos e fica difícil conciliar com o projeto de pesquisa/tese.
  11. Tenho que envolvido com muitas atividades do LIneA, poderia me envolver mais, mas como participo à distância fica difícil de me envolver em certas atividades.
  12. Acho que atuo em diversas frentes o que acaba me deixando sem foco específico.
  13. Eu venho dando o apoio necessário ao time científico e manutenção no portal atual. Mas, tenho contribuído pouco para a solução dos problemas já conhecidos e o meu escopo de atuação está muito restrito ao portal atual.
  14. Avaliação é subjetiva…
  15. Sou membro do LIneA faz alguns anos mas só recentemente tenho começado a realmente interagir de maneira efetiva com o laboratório, i.e., plantear problemas e soluções colaborando com o time e a infraestrutura dele. Isto tem sido em parte graças a uma viagem recente para os headquarters que tem me permitido entender melhor a dinâmica de trabalho do laboratório e como trabalhar em conjunto com ela estando remoto. Espero poder continuar este processo e conseguir aportar ao desenvolvimento do laboratório e os projetos que impulsiona.
  16. Como eu não programo não participo de atividades ligadas a isso.
  17. 95% da minha pesquisa atual e recente foi dedicada aos surveys de que participo através do LIneA. A produção científica vem sendo alta, assim como a formação de alunos. Também participo ativamente de discussões, planejamento, blogs, webinars, preparação de documentos, relatórios, telecons.
  18. Tenho atuado principalmente na especificação de requisitos. Nem sempre consigo finalizar as especificações devido aos diversos projetos em andamento simultâneos. Além disso sinto dificuldade da equipe de desenvolvimento de trabalhar tendo como base a especificação elaborada, e fornecer feedback deste trabalho, o que é importante principalmente no que diz respeito ao atendimento das necessidades dos usuários.
  19. Gostaria de participar mais ativamente nas reuniões, mas devido as aulas e locais para acesso na faculdade acabo não participando das mesmas.
  20. Eu ainda sinto-me um pouco confusa em quais reuniões eu deveria participar.
  21. Não produzi tudo o que havia proposto, preciso melhorar o gerenciamento de tempo.
  22. Não tenho participado muito, parte sendo devido a graduação.
  23. Tento envolver eu e meus alunos o máximo possível, mas às vezes os compromissos fora do LineA pesam.
  24. Apesar da nota 5 não posso avaliar pois estou no começando a utilizar os recursos do LIneA e ainda não tive a oportunidade de contribuir para o LIneA.
  25. Ainda preciso contribuir com outras melhorias e ações.
  26. Tento contribuir ao máximo com nossas resoluções de problemas.
  27. Acredito que minha participação diminuiu depois que deixei de trabalhar no portal. Com a validação do Y5, vou estar mais ativa novamente.
  28. Participação em diversos projetos, disponibilidade para resolver problemas de desenvolvimento dada longa experiência, especialmente com portal, ou assumir vazios de recursos (ex. QLF), experiência com os produtos do LIneA, assessoria de domain science (ex. QR, DRI, Expviewer), elaboração (e.g. relatório SDU) e revisão de documentos, orienta doutorando que participa ativamente dos processos, análise de dados, contribuição para artigos, participa de várias iniciativas de EPO, ajudando a divulgar o trabalho do LIneA.

Examinando as respostas fica clara a dificuldade que muitos pesquisadores parecem ter em conciliar seus trabalhos de pesquisa com as outras atividades demandadas para a operação do laboratório. Isto sugere que o modelo de cooperativa proposto tem severas limitações e com a crescente demanda é necessário considerar outros modelos de governança que incluam a contratação de pesquisadores atuando na área de ciência de dados.

A enquete terminou solicitando sugestões e/ou comentários que poderiam ajudar na re-modelagem do LIneA:

  1. i) Seria bom se houvesse uma forma de integração mais eficiente para membros novos. Tenho impressão que curva de aprendizado do funcionamento de atividades do LIneA acaba fazendo com que alguns membros de outras instituições acabem diminuindo as interações com o LIneA. ii) Divulgação maior sobre o LIneA, que pode ser começada com os seus próprios membros. Isso poderia ser feito na forma de um pequeno manual impresso sobre o LIneA para novos membros e também em merchandising: camisetas, adesivos, chaveiros, imã de geladeira, caneca, etc. Esses itens poderiam ser oferecidos como recompensa pela participação em atividades específicas no LIneA, mas também estarem disponíveis para compra online já que boa parte dos membros estão em outras instituições em outros estados. iii)O logo do LIneA poderia ser atualizado. No momento tendo apenas o nome escrito em cima de uma galáxia com um design minimalista fica parecendo mais uma empresa/produto de software e não diz muito sobre o LIneA. Um designer profissional poderia criar um logo que junte as principais características do LIneA e deixe bem claro para pessoas leigas também. Algo que chame a atenção e descreva visualmente o que é o LIneA.
  2. i) Eu acho que o LIneA faz um trabalho fantástico e tenho orgulho de fazer parte disso, mas acredito que podemos sim melhorar em alguns aspectos. Acho que a proporção de pessoal envolvido em gestão e execução não está adequada. Deveríamos ter mais gente “fazendo” e menos gente administrando. ii) Acho que as reuniões também deveriam ser mais setorizadas. Reuniões com muitas pessoas não são produtivas. Reuniões de muito alto nível poderiam ter apenas 1 ponto de contado de TI, que distribuiria as tarefas para o resto do time.
  3. Aumentar o número de ingressantes no LIneA. Acho importante aumentarmos o número de estudantes utilizando os dados dos levantamentos em que o LIneA participa.
  4. Acho que o linea deveria promover uma série de visitas às instituições brasileiras divulgando suas atividades. Nos locais onde tem membros, já fazemos isso, mas nos que não tem seria importante.
  5. Possibilidade de efetuar buscas nos bancos de dados do LIneA sem a necessidade de estar conectado na máquina que hospeda o banco.
  6. Sugestão: Home office uma vez por semana.
  7. Qual o destino desta enquete?
  8. Mantenho os comentários que faço habitualmente: i) -o LIneA abre oportunidades excelentes de engajamento em pesquisa; ii) Infelizmente, a adesão da comunidade é baixa, o que ainda exige uma explicação convincente. iii) No seu momento atual, o LIneA tem projetos demais e gente de menos para neles atuar, até porque muitos dos seus membros não dedicam todo seu tempo de pesquisa a eles. iv) o acesso à infra-estrutura computacional deveria ser facilitado, mais focado nas necessidades/preferências dos pesquisadores e nos resultados científicos por eles obtidos.
  9. Gostaria que houvesse reuniões de boa-vindas para explicação de novos projetos, como funciona as reuniões, como entrar em grandes projetos como o DES e o LSST.
  10. Defendo o uso de treinamentos para todos em áreas de gerenciamento ou outras áreas estratégicas para a instituição, mesmo que um por ano. Seriam benéficos em longo prazo. Creio que temos informação estatística suficiente a partir das sessões de sprint para identificar os principais gargalos e elaborar estratégias de treinamento.
  11. Poderíamos promover eventos de integração das equipes de pesquisadores e tecnologistas, a exemplo do evento de planejamento de janeiro, em que todos puderam se manifestar e colocar suas dúvidas, dificuldades, etc. Talvez um evento que aborde aspectos de recursos humanos, mas teria que ter o apoio de um especialista de RH no planejamento e condução.
  12. Acredito no LIneA e no uso do portal científico, mas gostaria de poder utilizar mais a infraestrutura oferecida. Gostaria de ter mais autonomia no uso das ferramentas (jupyter notebook, git, cluster, etc). Muitas vezes não sei se posso ou não rodar um código qualquer, onde é o melhor lugar para rodar, como fazer, etc. Gostaria de saber mais sobre esses pontos, de ter certeza de estar fazendo um bom uso, dentro das políticas estabelecidas pelo LIneA.

Entre as sugestões/comentários se destacam a necessidade de mais treinamento, o interesse de se ter mais liberdade no uso da infraestrutura computacional e maior divulgação do trabalho sendo feito. Muitos desses pontos foram levantados na reunião de planejamento estratégico realizada em janeiro e fazem parte do portfólio de novos projetos sendo considerados.

A experiência de realizar uma enquete foi extremamente útil, servindo para avaliar os serviços prestados e para dar subsídios para o planejamento do LIneA. Um ponto positivo foi o reconhecimento de que, apesar do time de TI ser pequeno, ele presta um importante e singular serviço de apoio à participação de pesquisadores brasileiros em projetos que envolvem grande volume de dados. Entretanto, como foi sugerido diversas vezes na enquete, o LIneA deve incentivar o treinamento de sua equipe técnica e promover mais webinars técnicos, complementando a série científica. Também especial é a infraestrutura computacional dedicada a atender as necessidades especiais desses projetos. Embora 2018 tenha sido um ano difícil, devido a problemas na infraestrutura física, estes parecem ter sido sanados. Pontos que devem ser atacados urgentemente são a necessidade de melhorar a apresentação dos serviços disponíveis a novos colaboradores (através de documentação apropriada e mecanismos como tutorias presenciais e remotos), vídeos e hack sessions. Uma sugestão foi promover visitas ao LIneA para os membros mais novos, com o objetivo de tornar mais rápida a adaptação deles ao ambiente de trabalho do laboratório e conhecer as pessoas do outro lado da helpdesk. Finalmente, uma outra sugestão interessante foi a de criar uma caixa de sugestões que pode ser usada por membros internos e externos.

O LIneA é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), criado com a finalidade de dar suporte à participação brasileira em levantamentos astronômicos. O INCT do e-Universo também apoia brasileiros participantes de grandes levantamentos astronômicos, incluindo o próprio LSST.

 




29 de maio de 2019

Espelho M1M3 chega ao prédio da cúpula LSST

Os espelhos primário e terciário (M1M3) chegaram ao prédio da cúpula do Large Synoptic Survey Telescope (LSST) no Cerro Pachón, no Chile. O navio que transportava o M1M3 atracou em Coquimbo no dia 7 de maio, e depois o contêiner foi transferido para um veículo de transporte de 72 rodas. Os espelhos chegaram ao seu destino dia 11 de maio. Mais detalhes e fotos do transporte do espelho estão disponíveis neste link.

Figura 1 – Levantador a vácuo e o LSST M1M3 suspensos sobre o dispositivo de polimento. Créditos da imagem: LSST.

O telescópio LSST consiste em três espelhos não esféricos: um espelho primário de 8,4 m, um espelho secundário convexo de 3,5 m e um espelho terciário de 5,0 m (Figura 2), que se curvam de formas diferentes. Os espelhos primários e terciários foram fabricados a partir de uma única peça de vidro de baixa expansão, resultando no espelho monolítico LSST primário / terciário (M1M3).

Figura 2 – Ilustração do espelho M1M3 (espelho inferior na imagem). Créditos da imagem: LSST.

Figura 3 – Espelho M1M3 sendo transportado para Houston. Créditos da imagem: LSST

LIneA é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), criado com a finalidade de dar suporte à participação brasileira em levantamentos astronômicos. O INCT do e-Universo também apoia brasileiros participantes de grandes levantamentos astronômicos, incluindo o próprio LSST.




28 de maio de 2019

LIneA completa 300 artigos publicados pelos seus filiados

Os filiados ao LIneA e ao INCT do e-Universo atingiram a marca de 300 artigos publicados desde o final de 2008, além de 2 aceitos e mais de 40 submetidos. Um dos trabalhos de destaque é o mapa de matéria escura produzido pelo Dark Energy Survey (DES), feito através da análise de lentes gravitacionais fracas das galáxias, em 2015. Dois artigos sobre o estudo saíram nas revistas Physical Review D e Physical Review Letters, e além disso foi publicada uma resenha na revista online Physics, que explica os desafios em produzir o mapa e como os próximos anos produzirão resultados fantásticos quando levantamentos como o DES forem completados. Membros brasileiros da colaboração DES participam destes estudos, apoiados pelo LIneA.

trabalho desenvolvido por cientistas usando a câmera do Dark Energy Survey (DES) também foi de grande destaque, pois eles capturaram imagens do resultado de uma colisão entre estrelas de nêutrons, evento que produziu a detecção de uma onda gravitacional. Os cientistas da equipe estão entre os primeiros a observar as consequências de um surto de ondas gravitacional, registrando imagens da primeira explosão confirmada como consequência da fusão de duas estrelas de nêutrons. Esse violento processo de fusão, ocorrido há 130 milhões de anos em uma galáxia próxima à nossa (NGC 4993), é a fonte das ondas gravitacionais detectadas pelo Observatório Interferométrico de Ondas Gravitacionais (LIGO) e Interferômetro Virgo em 17 de agosto.

Além disso, um dos 300 artigos publicados é sobre o 14º lançamento de dados do Sloan Digital Sky Survey (SDSS). Trata-se de um lançamento cumulativo, incluindo as reduções e calibrações mais recentes de todos os dados do SDSS desde a primeira fase em 2000. O novo Data Release 14 (DR14), como é denominado, foi o primeiro lançamento público de dados da Baryon Oscillation Survey, e proporciona dados de imagens e espectros mais antigos. O artigo descreve a localização e o formato dos dados publicamente disponíveis das pesquisas do SDSS-IV, além de fornecer referências aos documentos técnicos importantes que descrevem como os dados foram coletados (com segmentação e detalhes de observação) e processados para uso científico.

Figura 1 – Cópia de tela do portal de acesso aos dados do DR14 providos pelo LIneA. Crédito da imagem: LIneA.

Ainda como publicações de impacto mencionamos uma séries de artigos liderados por filiados ao LIneA examinando o fenômeno Seyfert (galáxias com núcleos ativos energizados por um buraco negro supermassivo) reportado também nas seguintes notícias [A dança dos ventos galácticos], [Buracos negros vorazes], e [O sopro das galáxias], entre outros.

Outra publicação relevante dentro desses 12 anos foi o estudo da doutoranda Jessica Cáceres (ON) e seu orientador Rodney Gomes, que reforça a possível existência de mais um planeta no Sistema Solar. Depois da descoberta do planeta anão Plutão e a posterior determinação de sua massa, a procura pelo denominado “planeta X” (ou nono planeta) continuou até que uma estimativa mais precisa da massa de Netuno foi feita pela sonda espacial Voyager 2No artigo, foram estudados parâmetros orbitais focando no caso de um planeta com órbita muito alongada em torno do Sol.

Figura 2 – Ilustração artística de uma possível órbita do nono planeta.

A lista das publicações dos filiados ao LIneA pode ser encontrada aqui. O LIneA é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), criado com a finalidade de dar suporte à participação brasileira em levantamentos astronômicos. O INCT do e-Universo também apoia brasileiros participantes de grandes levantamentos astronômicos, incluindo o DES e o LSST.




23 de maio de 2019

Evento na UNESP discute infraestrutura para grandes projetos de pesquisa

Colaborações científicas de longo prazo costumam dar muitos resultados de alto impacto, mas exigem grande infraestrutura de pesquisa. Um bom exemplo disso é o Large Hadron Collider (LHC), que é considerada a maior máquina do mundo (com mais de 20 km de circunferência) e levou uma década para ser construída, envolvendo milhares de cientistas de mais de 100 países. O LHC confirmou muitas previsões do Modelo Padrão de partículas elementares, culminando com a descoberta do bóson de Higgs, nos permitindo entender melhor a estrutura da matéria. Observatórios de ondas gravitacionais (ex. LIGO), neutrinos (ex. IceCube), raios cósmicos (ex. Auger), e mesmo grandes levantamentos astronômicos, como SDSS, DES e LSST, apoiados pelo LIneA no Brasil, também precisam de investimento de longo prazo para seu planejamento e operação para alcançar seus importantes resultados.

Para debater a importância dessas colaborações e da infraestrutura necessária em diversas áreas do conhecimento, pesquisadores da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern) – responsável pela construção do LHC –, do Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), nos Estados Unidos, e do Science and Technology Facilities Council, no Reino Unido, reuniram-se com pesquisadores e dirigentes de agências de fomento da América Latina em evento que terminou no dia 1º de maio no Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista, em São Paulo.

“Os problemas científicos da América Latina são complexos e exigem big science. É preciso colaboração para a construção de infraestrutura científica necessária. Afinal, as soluções para problemas complexos não vão sair de um único laboratório e um único lugar”, disse Lidia Brito, diretora do Escritório Regional em Montevidéu (Uruguai) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) (Figura 1). Segundo Lidia, é preciso que os financiamentos à pesquisa na América Latina atravessem fronteiras.

Figura 1 – Lidia Brito no evento que ocorreu na UNESP. Créditos da imagem: Felipe Maeda / Agência FAPESP.

Sediado pelo Instituto Sul-Americano para Pesquisa Fundamental (ICTP-SAIFR), o primeiro Fórum Estratégico Latino-Americano para Infraestrutura na Pesquisa (LASF4RI) debateu a possibilidade de cooperações de longo prazo que exijam grandes infraestruturas no contexto da América Latina. A ideia do Fórum foi iniciar a discussão de um Planejamento Estratégico para investimentos em infraestrutura científica para a América Latina, inicialmente nas áreas de Física de Altas Energias e Cosmologia. Para isso, um grupo preparatório com físicos da região foi instituído e teve sua primeira reunião no segundo dia do workshop. Um grupo estratégico coordenado por Luciano Maiani (ex-diretor geral do CERN) e Fernando Quevedo será formado para analisar propostas a serem enviadas pela comunidade através de white papers. “Esse é o começo de um longo processo para apontar sinergias nas pesquisas nessas áreas desenvolvidas em diferentes países da região”, observou Rogerio Rosenfeld, membro do LIneA, vice-coordenador do INCT do e-Universo e um dos organizadores do evento. Também tomou parte do evento o coordenador do LIneA e do INCT do e-Universo.

No Brasil, o Projeto _Sirius_ (Figura 2) é considerado fundamental, uma vez que, quando estiver pronto, será um dos equipamentos mais avançados no mundo. O Sirius funciona como um microscópio gigante e vai nos permitir explorar a estrutura da matéria com sua fonte de luz síncrotron, avançando áreas como energia, saúde e meio ambiente, ajudando a produzir melhores fontes de energia, remédios, e alimentos. O projeto teve 85% do investimento financeiro executado no Brasil, com empresas brasileiras, mas muitos dos pesquisadores que o utilizarão serão estrangeiros (a maior parte da América Latina). É uma grande oportunidade de colaboração internacional em pesquisa e de fazer programas relevantes para toda a região.

Figura 2 – A arquitetura do prédio do Projeto Sirius em Campinas se destaca. Materiais e técnicas avançadas foram utilizadas para evitar vibração e manter a temperatura estável. Crédito: LNLS

Mais informações sobre o evento podem ser encontradas aqui.

LIneA é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), criado com a finalidade de dar suporte à participação brasileira em levantamentos astronômicos. O INCT do e-Universo também apoia brasileiros participantes de grandes levantamentos astronômicos, incluindo o DES e o LSST.




29 de abril de 2019

Anãs marrons classificadas utilizando dados do DES

As anãs marrons são descritas como objetos com mais massa que um planeta, porém não grandes o bastante para serem consideradas como estrelas. Além do tamanho, o que diferencia uma estrela de um planeta é a emissão de luz. No caso da anã marrom, há a queima do elemento deutério (um tipo mais pesado de hidrogênio) produzindo uma fraca emissão de luz – e, justamente por isso, é bastante difícil observá-la por métodos tradicionais utilizados pela astronomia (ver concepção artística na Figura 1). A temperatura do núcleo não é alta o suficiente para realizar fusão de hidrogênio e faz com que esses objetos não sejam considerados como estrelas. A confirmação observacional da primeira anã marrom ocorreu somente nos anos 90. Até o momento, há cerca de pouco mais de 2.000 anãs marrons confirmadas espectroscopicamente, e algumas poucas amostras fotométricas de candidatas a anãs marrons.

Figura 1 – Concepção artística de uma anã marrom. Crédito da imagem: NASA/JPJ-Caltech.

Grandes levantamentos astronômicos desempenham um papel importante na busca por anãs marrons, com o objetivo de aumentar seu censo e, por consequência, fazer estimativas da distribuição dessa população na Via Láctea. Alguns exemplos de grandes levantamentos que ajudaram na identificação de anãs marrons são Sloan Digital Sky Survey (SDSS), The Two Micron All Sky Survey (2MASS) e mais recentemente, o Dark Energy Survey (DES).

Figura 2 – Aurélio Carnero, pós-doutorando lider da pesquisa.

Neste último trabalho (veja a publicação aqui), liderado pelos filiados ao LIneA Aurelio Carnero (CIEMAT, Espanha), Basilio Santiago UFRGS) e Marina dal Ponte (UFRGS), apresentamos um catálogo contendo 11.745 anãs marrons com distância até ~500 pc e tipo espectral obtido usando as fotometrias dos levantamentos DES, Vista Hemisphere Survey (VHS) e Wide-field Infrared Survey Explorer (WISE). Esse é o maior catálogo contendo candidatas a anãs marrons já produzido. A combinação de dados fotométricos de diferentes surveys é necessária para uma correta classificação espectral, como demostramos no artigo. Com os dados do DES; cobrimos uma faixa espectral do visível ao infra vermelho próximo, e com o VHS e o WISE; cobrimos frequências no infra-vermelho, aonde as anãs marrons são mais brilhantes.

Para realizar a busca, foi feita uma seleção nos dados baseado em cores típicas para anãs marrons. Depois, foram utilizados modelos empíricos com o objetivo de classificar a amostra e remover possíveis contaminantes. Também realizamos simulações para estimar o número esperado de anãs marrons considerando os parâmetros estruturais da Via Láctea, além de magnitudes absolutas e cores em função do tipo espectral. Assim, comparando nosso catálogo com as simulações foi possível inferir a escala do disco fino da Via Láctea para a população de anãs marrons de tipo espectral L, que são os objetos mais numerosos na nossa amostra. Com esta lista de candidatas, esperamos iniciar um processo de confirmação através de novas observações. Também este artigo é importante pois abre uma nova linha de pesquisa no LIneA, e o ferramental desenvolvido nesta pesquisa servirá para levantamentos futuros como o LSST, que deve iniciar em breve.

Figura 3 – Escala de tamanho de uma anã marrom (em inglês, brown dwarf). Crédito da imagem: NASA/JPL-Caltech/UCB

LIneA é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), criado com a finalidade de dar suporte à participação brasileira em levantamentos astronômicos. O INCT do e-Universo também apoia brasileiros participantes de grandes levantamentos astronômicos, incluindo o DES e o LSST.




18 de abril de 2019

Medindo a distância no espaço usando o portal do Dark Energy Survey

No dia 28 de março o artigo liderado pela doutoranda Julia Gschwend foi publicado no blog do Science Trends, um site de divulgação científica fundado em 2017 que cobre as áreas da ciência e tem alcance internacional. O trabalho já tinha sido reconhecido anteriormente, quando publicado na revista Astronomy & Computing, e fala sobre como a medição de distância é um desafio importante na astronomia. Para resolver esse problema, redshifts fotométricos (photo-z’s) têm sido amplamente utilizados pela comunidade astronômica. Embora menos precisos que os espectroscópicos, eles são mais baratos e mais rápidos (em relação ao número de galáxias medidos por tempo de exposição).

Neste trabalho, foi abordado como a infraestrutura do Portal da Ciência do Dark Energy Survey (DES) se apresenta como uma solução para conectar todas as etapas do procedimento completo para estimar o photo-z, garantindo consistência e controle de proveniência. O Portal é uma ferramenta baseada na Web que combina um aplicativo da Web, um sistema de fluxo de trabalho, um cluster de computadores e dois bancos de dados. Ele é desenvolvido de forma colaborativa por um grande número de pessoas de TI e ciência espalhadas geograficamente pelo Brasil. Também temos contribuições de membros do DES em vários outros países entre as instituições participantes do DES.

Figura 1 – Observatório de Cerro Tololo que abriga a Dark Energy Camera. Créditos da imagem: Fermilab.

A reportagem está na íntegra do Sciende Trends, em inglês, e pode ser acessada através deste link. Isto mostra o reconhecimento do trabalho desenvolvido no país, e a capacidade de internacionalização dos afiliados ao LIneA e INCT do e-Universo envolvidos nestes projetos internacionais.

LIneA é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), criado com a finalidade de dar suporte à participação brasileira em levantamentos astronômicos. O INCT do e-Universo também apoia brasileiros participantes de grandes levantamentos astronômicos, incluindo o LSST.




17 de abril de 2019

A dança dos ventos galácticos

A captura de matéria por buracos negros supermassivos (de um milhão a 10 bilhões vezes mais massivos que o Sol) localizados no centro da maioria das galáxias, resulta em uma grande quantidade de emissão de energia. Na maioria das galáxias, o buraco negro central não está ativamente capturando matéria, mas em galáxias com material disponível em suas redondezas, o processo de aumento de massa resulta na produção de radiação e ventos emanados do disco que se forma no entorno do buraco negro.

Estes objetos são conhecidos como núcleos ativos de galáxias. Há pouco tempo, acreditava-se que somente os núcleos ativos mais poderosos eram capazes de produzir ventos em escalas galácticas (cerca de 25 mil anos-luz), porém um estudo realizado em 2016 utilizando dados do projeto Mapping Nearby Galaxies at APO (MaNGA) revelou uma população de galáxias que hospedam núcleos ativos de baixa luminosidade capazes de produzir ventos galácticos. Estes ventos parecem ser responsáveis por impedir a formação de novas estrelas, afetando assim, a evolução das galáxias. A esta classe de galáxias foi dada o nome de Red Geysers, em alusão aos ventos emanados do núcleo e a cor avermelhada de populações estelares velhas, que dominam a emissão de radiação.

Um estudo liderado por Rogemar Riffel (UFSM) e outros afiliados ao LIneA, em colaboração com pesquisadores da USP e instituições internacionais, revelou uma característica inusitada das Red Geysers. O estudo, publicado em abril na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, utilizou dados do levantamento MaNGA em conjunto com observações obtidas com o Telescópio Gemini Norte (Figura 1) da galáxia Akira, protótipo da classe de Red Geysers. Este estudo possibilitou a análise detalhada da cinemática e excitação do gás na região central desta galáxia, próximo do buraco negro supermassivo.

 

Figura 1 – Telescópio Gemini Norte. Créditos da imagem: Observatório Gemini.

Figura 2 – Emissão e velocidade do gás na galáxia Akira, observado com o MaNGA (esquerda) e Gemini (direita). Os mapas de cima mostram a largura equivalente (EqW) da linha Halpha do átomo de hidrogênio, utilizado para traçar a emissão do gás. As barras de cores indicam os valores de EqW em Angstrons. Os painéis inferiores mostram os campos de velocidades, com as barras de cores indicando as velocidades em km/s. Regiões em vermelho indicam que o gás está se afastando de nós e regiões em azul representam o gás se aproximando. Os círculos pretos mostram que a direção do vento varia com a distância ao núcleo da galáxia e que esta variação está associada a uma maior emissão do gás. Nas figuras, 1 arcsec corresponde a cerca de 1600 anos-luz. Créditos da imagem: Créditos: R. A. Riffel.

Os pesquisadores descobriram que além de se estender em escalas galácticas, a orientação do “vento” varia com a distância ao centro da galáxia (Figura 2). A explicação mais provável para este fenômeno é que ele se deva à precessão do disco de acreção que circunda o buraco negro supermassivo no centro de Akira (Figura 3). Embora jatos relativísticos associados a discos de acreção precessionantes sejam comumente reportados na literatura, o trabalho realizado por afiliados do LIneA representa a primeira detecção de ventos sub-relativísticos (velocidades de poucas centenas de quilômetros por segundo). Considerando que estes ventos possuem um ângulo de abertura maior do que os jatos relativísticos, eles conseguem atingir um volume maior da galáxia, e possivelmente impedir que novas estrelas sejam formadas.

Figura 3 – Concepção artística de ventos produzidos no disco de acreção em núcleos ativos de galáxias: Créditos da imagem: ESA/AOES Medialab.

Entender o efeito dos ventos emanados por núcleos ativos nas galáxias que os hospedam é crucial para entender como as galáxias se formam e evoluem, e o trabalho liderado pela equipe brasileira representa uma importante peça neste quebra-cabeça. A equipe pretende realizar trabalhos semelhantes para outras Red Geysers, a fim de verificar a presença de ventos originados pelo crescimento do disco de acreção. Mais detalhes sobre o estudo podem ser encontrados no artigo publicado.

O LIneA é um laboratório apoiado pelo Observatório Nacional (ON), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), que tem como missão dar suporte a participantes de grandes levantamentos como o MaNGA, além de ter a finalidade de apoiar a participação brasileira em levantamentos astronômicos.