Noticias

24 de setembro de 2018

Especialistas do maior levantamento óptico da próxima década visitam o LIneA

Na semana de 24 de Setembro, Ranpal Gill (Communications Manager – LSST) e William O’Mullane  (Data Management Project Manager – LSST), ambos do Large Synoptic Survey Telescope LSST, visitam a sede do LIneA no Rio de Janeiro para discutir comunicação e gerenciamento e análise de dados do LSST.

Ao longo da semana os trabalhos realizados no LIneA e LSST vão ser discutidos para identificar pontos de colaboração. Realizaremos também sessões de programação e preparação de infraestrutura computacional de modo a permitir a análise dos ricos – e volumosos – dados do LSST.

Amanda Bauer, líder do programa de Extensão e Educação do LSST, também vai participar remotamente na quarta-feira, quando teremos uma sessão focada em divulgação científica.

A agenda completa pode ser acessada aqui.

LSST Week



21 de setembro de 2018

Encontro reúne 300 participantes do maior levantamento astronômico da próxima década

Na semana de 13 a 17 de Agosto de 2018 aconteceu em Tucson, Arizona, EUA, o LSST Project and Community Workshop 2018, o encontro anual do levantamento astronômico Large Synoptic Survey Telescope (LSST). A reunião, com mais de 300 participantes (ver foto de grupo na Figura 1), foi uma combinação de dezenas de apresentações plenárias, e mais de cinquenta sessões paralelas cobrindo diferentes aspectos do projeto LSST que consiste: 1) da construção de um telescópio 8 metros em Cerro-Pachon, Chile (Figura 2); 2) da maior câmera astronômica já construída (3.200 Mpixels), correspondendo a mais de 450 câmeras daquela disponível no iPhone 8 (ver Figura 3), 3) de uma infraestrutura de hardware e software para transferência, redução, análise e distribuição do grande volume de dados a ser obtido todas as noites (15 TB); e 4) a colaboração científica apoiada pela LSST Corporation (LSSTC). O LSST é um projeto com orçamento de centenas de milhões de dólares, e vários parceiros internacionais, sendo o Brasil um deles desde o final de 2015.

LSST Project and Community Workshop 2018 é um evento que oferece uma visão global de todas as atividades desenvolvidas no âmbito do LSST, como o desenvolvimento de ferramentas para tratamento e análise de imagens, decisões sobre a cadência das observações. Ocorreram discussões sobre técnicas e ferramentas que permitirão o acesso e exploração dos dados pelas diversas equipes científicas. Foram estabelecidos planos para o período de comissionamento que incluem pequenos levantamentos que produzirão dados de uma qualidade e profundidade sem precedentes. Também foi tema de discussão as simulações numéricas que permitirão testes de escalabilidade mesmo antes dos primeiros dados chegarem.

Neste contexto, cinco membros do Brazilian Participation Group (BPG, ver Figura 4), formado em 2017, atuando em diferentes áreas, incluindo de Sistema Solar à galáxias distantes, participaram desta reunião para ficarem a par das últimas novidades, estabelecer parcerias e aprender mais sobre o LSST, com o apoio da LSSTC e do INCT do e-Universo. É importante enfatizar que o objetivo principal do BPG é, com a ajuda do time do LIneA, preparar os códigos de análise para lidar com o esperado volume de dados. Já no primeiro de observações o catálogo de objetos a ser analisado será 40 vezes maior do que os gerados pelo DES em seus cinco anos de operação.

Durante a reunião foi examinada a possibilidade do LIneA contribuir, em colaboração com o grupo do IPAC/Caltech, no desenvolvimento de software para visualizar e analisar as images originais compostas de 189 CCDs.

Uma outra atividade em destaque nesta edição da reunião foi o chamado Blending Workshop. Foram oito sessões de 1,5 horas com palestras, discussões e atividades práticas visando atacar o problema da detecção e medição fotométrica de objetos próximos ou superpostos. A equipe de gerenciamento de dados está desenvolvendo um software para separar objetos detectados em superposição e realizar suas medidas de forma independente. Durante o Workshop, Jupyter notebooks com exercícios utilizando uma versão preliminar deste software foram disponibilizados para os participantes que, por sua vez, contribuíram com críticas e sugestões de novas implementações.

Figura 1 – Foto com os participantes da reunião anual do projeto e da colaboração científica do LSST que pela primeira vez teve a participação de membros do Brazilian Participation Group (BPG) Crédito: LSST.
Figura 2 – Foto recente da estrutura que abrigará o telescópio e oficina de manutenção indicando que o projeto se encontra bem avançado e deve entrar em comissionamento já no final de 2020. O interior do prédio já está pronto inclusive com a instalação de equipamentos de rede e computação. Crédito: LSST.
Figura 3 – Desenho da câmera de 3,2 Gigapixels sendo construída no SLAC National Accelerator Laboratory para o LSST. Crédito: LSST.
Figura 4 – Membros do BPG-LSST que participaram da reunião em Tucson. Crédito: R. Ogando.



20 de setembro de 2018

Encontro de educação, tecnologia e inovação discute seu impacto na América Latina

Educação, tecnologia, e inovação são temas centrais para o desenvolvimento de um país. Com a era dos grandes levantamentos em astronomia, como Dark Energy Survey (DES) e Large Synoptic Survey Telescope (LSST), a ciência básica se alia à alta tecnologia para transporte, armazenamento, processamento, e análise dos dados – a chamada ciberinfraestrutura de e-ciência.

De 3 a 5 de Setembro, vários membros da comunidade de e-ciência, principalmente latino-americana, se reuniram em Cartagena, Colômbia para participar do TICAL 2018 e o 2º Encuentro Latinoamericano de e-Ciencia. O evento contou com palestras, como por exemplo, a de Martin Hilbert, da Universidade da Califórnia, sobre o impacto da inteligência artificial no estudo do comportamento humano.

O LIneA, como um laboratório de e-astronomia, se fez presente através de Luiz Nicolaci da Costa, seu coordenador, Ricardo OgandoMartin Banda, todos do Observatório Nacional e LIneA, além de Leandro Ciuffo da RNP.

Luiz da Costa apresentou a história do LIneA na sessão de “Ciberinfraestrutura para a Ciência” e como o laboratório dá suporte para participantes brasileiros de grandes levantamentos astronômicos.

Na sessão de “Apoio a investigação: Aplicações”, Ricardo Ogando apresentou os produtos desenvolvidos no LIneA instalados em centros internacionais como o Quick Reduce em Cerro Tololo, Chile, para o DES, o LIneA Science Server parte do Data Release Interface que disponibiliza os dados do DES a partir de um portal instalado no NCSA em Urbana, EUA, e o Quick Look Framework, em Kitt Peak, EUA, para o DESI.

Martin Banda, doutorando do ON, falou de uma nova interface que permite automatizar a previsão de ocultações de TNOs usando dados do DES.

Leandro Ciuffo falou do Mapeamento de serviços de suporte à e-Ciência, elemento fundamental para dar apoio de forma otimizada a grandes projetos como o LSST. Os dados do LSST vão para os EUA através de um conjunto de fibras ópticas que passa pelo Brasil. Elas tem um tráfego sustentado de até 40 Gbps, o suficiente para transportar 18 Terabytes por hora! Esse tipo de desenvolvimento é fundamental para romper as barreiras geográficas, estreitando as colaborações entre países, fomentando o ambiente de inovação na América Latina.

Figura 1 – Participantes da conferência TICAL2018.
Figura 2 – Ricardo Ogando, Martin Banda, e Luiz da Costa apresentam o LIneA e seus produtos na conferência Tical.



13 de setembro de 2018

Câmera que monitora meteoros instalada no Museu de Astronomia registra o incêndio no Museu Nacional

Uma câmera para monitoramento de meteoros, popularmente conhecidos como estrelas cadentes, registrou o lamentável incêndio do Museu Nacional na Quinta da Boa Vista na noite de domingo (02/SET). Essa câmera possui uma ótica do tipo olho de peixe, ou seja, registra a imagem de todo o céu visível a partir de sua localização, e foi instalada pelo Observatório Nacional em janeiro de 2016 no alto do prédio histórico (Fig. 1) onde funciona hoje o Museu de Astronomia e Ciências Afins ( MAST) no Bairro de São Cristóvão no Rio de Janeiro.

A câmera faz parte do projeto FRIPON (Fireball Recovery and Interplanetary Observational Network) ( veja um vídeo em inglês sobre o projeto), liderado pelo Observatório de Paris (investigador principal – Dr. F. Colas), cujo objetivo é fazer um monitoramento contínuo de meteoros e meteoritos para determinar a trajetória e origem destes corpos que atravessam a nossa atmosfera. Uma curiosidade é que a equipe do Observatório Nacional e do LIneA (Drs. Julio Camargo e Roberto Martins), juntamente com o Dr. Eugênio Reis, Coordenador de Educação e Ciência do MAST na época, cogitaram inicialmente instalar a câmera no alto do prédio do Museu Nacional, mas por razões de ordem prática, acabaram por optar pelo MAST.

O video abaixo é constituído de imagens registradas no fatídico domingo. Com aproximadamente 40 segundos de duração, ele apresenta, na borda superior esquerda, aos 4 segundos, o primeiro registro do incêndio no instante correspondente às 19 horas e 57 minutos do dia 02/SET. A chamas aparecem por aproximadamente 5 horas, desaparecendo às 00 horas e 55 minutos do dia 03. Nota-se, no decorrer do vídeo, também o movimento de astros conhecidos. Eles são, da esquerda para a direita, Vênus, Júpiter e Marte (Fig. 2).

Desejamos dias melhores para a ciência brasileira e uma pronta retomada das atividades para os colegas do Museu Nacional.

Figura 1 – Vista panorâmica do alto do prédio do MAST, local no qual está instalada a câmera da Fripon. Crédito: Ricardo Ogando/Julio Camargo
Figura 2 – Imagem indicando as posições de Vênus, Júpiter, Marte e do Museu Nacional.



12 de setembro de 2018

Buracos negros vorazes

Janaina

O núcleo de uma galáxia fica ativo (AGN – Active Galactic Nuclei) quando o buraco supermassivo (SMBH – Supermassive Black Holes) em seu centro é alimentado por gás (Figura 1). Os SMBH parecem desempenhar um importante papel na evolução das galáxias que os hospedam. Isso ocorre como resultado do processo de retroalimentação (feedback) do AGN, incluindo a emissão de radiação, ejeções de gás (outflows) e jatos de partículas relativísticas. A geração de grandes regiões de gás quente e fotoionizado pelo AGN, bem como os outflows, afetam a evolução da galáxia ao longo do tempo, extinguindo sua formação estelar. No entanto, a quantificação desses efeitos físicos e a influência do AGN na evolução das galáxias continua a ser uma questão aberta.

O trabalho de doutorado de Janaína Nascimento (foto ao lado) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e afiliada ao LIneA tem como objetivo investigar a relação entre o AGN e a galáxia hospedeira, a partir do mapeamento do reservatório de gás presente em galáxias ativas e não ativas. O trabalho utiliza dados obtidos com o levantamento Mapping Nearby Galaxies at Apache Point Observatory (MaNGA) de uma amostra de AGNs e galáxias inativas para mapear a distribuição e densidade do gás.

Observou-se que a densidade superficial de massa de gás ionizado no núcleo de galáxias ativas é maior do que para as galáxias inativas, com esta diferença diminuindo para AGNs menos brilhantes. O reservatório de gás em 70 % das galáxias ativas é maior do que o observado nas galáxias inativas de controle (ver Figura 2). Este percentual atinge 80% quando considera-se somente a região nuclear.

O maior reservatório de gás ionizado observado em galáxias ativas pode representar o combustível para alimentação do SMBH central ou ser devido ao fato the que os AGNs possuem uma fonte de ionização mais poderosa e consequentemente conseguem ionizar uma maior quantidade de gás do que as galáxias inativas. Observações de fases gasosas adicionais, tais como o gás molecular, que é provavelmente a fonte dominante de abastecimento de AGN – e através de observações com ALMA (Atacama Large Millimeter Array – Figura 3), poderão ajudar a distinguir entre as duas hipóteses levantadas.

Os resultados do trabalho originaram um artigo submetido para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Figura 1 – Concepção artística de nuvens de gás sendo capturadas por um buraco negro supermassivo, no centro da galáxia mais brilhante do aglomerado Albell 2597. Crédito da imagem: NRAO/AUI/NSF; Dana Berry/SkyWorks; ALMA (ESO/NAOJ/NRAO).
Figura 2 – Distribuição das galáxias da amostra em termos da densidade superficial de massa, mostrada em massas solares por kiloparsec quadrado. Crédito da imagem: J. Nascimento, artigo submetido.
Figura 3 – O radio interferômetro ALMA. Crédito da imagem: ESO/C. Malin



11 de setembro de 2018

Astrofísica na mesa de bar

Planetas, estrelas, galáxias e buracos negros foram os temas de uma conversa descontraída em um bar de Santa Maria na quinta-feira 30/08. O evento Dose de Ciência (Figura 1) realizado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) é inspirado no Pint of Science e tem como objetivo aproximar cientistas e o público em geral para conversar de maneira descontraída sobre a ciência desenvolvida nas mais diversas áreas.

O Dose de Ciência teve início no dia 30 de agosto e acontecerá sempre na última quinta-feira de cada mês no ambiente da cervejaria Vaca Profana. A primeira atividade do evento foi conduzida pelo Dr. Rogemar A. Riffel, professor da UFSM e afiliado ao LIneA. O título da palestra apresentada foi “Astrofísica: de planetas a buracos negros”, a qual teve como objetivo apresentar a área de astrofísica como um todo em uma conversa sem formalidades. A conversa animada abordou assuntos desde missões espaciais e tecnologias associadas até aspectos teóricos e observacionais de buracos negros.

Em entrevista concedida à Revista Arco, o Dr. Paulo Cesar Piquini do Departamento de Física da UFSM e um dos idealizadores do Dose de Ciência, comenta: “o evento abre um canal informal de divulgação científica entre o mundo acadêmico e o público em geral, sem as formalidades inerentes da academia, direto a temas de pesquisa de interesse científico atual através de pessoas gabaritadas”. Para o Dr. Riffel, “eventos deste tipo, fazem com que as pessoas se interessem pela ciência, dão visibilidade a ciência produzida no Brasil e representam uma forma de pesquisadores prestarem conta de seus trabalhos nas universidades e institutos de pesquisa”. “A astrofísica pode desempenhar um papel de protagonista na divulgação científica, já que é uma área que desperta interesse da maioria das pessoas”, acrescenta Riffel.

O primeiro dia de evento foi um sucesso! Cerca de 200 pessoas participaram da palestra, lotando completamente a cervejaria localizada no centro da cidade (veja reportagem da TV Campus UFSM sobre o evento – link abaixo). Dezenas de pessoas ficaram do lado de fora. O LIneA apoia brasileiros participantes de grandes levantamentos como o Sloan Digital Sky Survey ( SDSS) do qual o Rogemar é um ativo participante. Ele atua no levantamento de galáxias MaNGa que entre outros objetivos estuda os efeitos de buracos negros supermassivos nos núcleos de algumas galáxias.

Figura 1 – Teaser de divulgação do evento. Créditos: Wellington Gonçalves; Núcleo de Divulgação Institucinal do CCNE/UFSM

Link para a reportagem da TV Campus da UFSM sobre o evento Dose de Ciência: https://www.youtube.com/watch?v=mWOpmjzMOLM




24 de agosto de 2018

Núcleos ativos e o rejuvenescimento do conteúdo estelar

Núcleos ativos de galáxias (AGN – Active Galactic Nuclei) são regiões não resolvidas espacialmente que habitam o centro das galáxias. Esse núcleos ativos emitem quantidades exorbitantes de energia luminosa, comparáveis à emissão total das galáxias hospedeiras. Essa luminosidade tem origem distinta da fusão nuclear, como acontece no interior das estrelas. Acredita-se que a produção dessa energia se deva à acreção de matéria a um buraco negro supermassivo.

Uma frente de estudos do cenário evolutivo de galáxias atual se concentra nos efeitos dos AGN no consumo de gás e na produção estelar. A dissertação de mestrado de Nícolas Dullius Mallmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e afiliado ao LIneA, tratou do estudo das distribuições de populações estelares em galáxias com núcleos ativos. Para tal, utilizou dados do Mapping Nearby Galaxies at Apache Point Observatory (MaNGA) e duas amostras de galáxias, uma com 62 AGNs e outra com 109 galáxias inativas cujas propriedades morfológicas se assemelham às dos AGNs. Esse estudo se restringiu nas primeiras 62 AGNs observadas nesse levantamento.

Através do método de síntese de populações estelares, foi possível comparar a distribuição de populações estelares das amostras de AGNs e de controle (ver Figura 1). Foi possível observar um aumento na formação estelar recente das galáxias ativas mais luminosas da amostra quando comparadas com as respectivas galáxias inativas (ver Figura 2). Esse aumento é somente substancial nas regiões mais próximas do núcleo, pois a amostra de AGNs usada consiste primariamente de núcleos ativos de baixa luminosidade. O impacto desse resultado foi tamanho que resultou na publicação de um artigo na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society (MNRAS), intitulado The first 62 AGN observed with SDSS-IV MaNGA – II: resolved stellar populations.

Os resultados desse trabalho liderados por Mallmann, incluindo a participação de outros afiliados ao LIneA, foram apresentados num simpósio em Durham, Reino Unido (ver notícia) sendo bem aceito e referenciado nas apresentações de outros participantes da reunião. O principal resultado desse trabalho mostra que AGNs de maior luminosidade apresentam um rejuvenescimento do conteúdo estelar nas regiões centrais destes objetos.

O Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA) e o INCT do e-Universo apoiam a participação de brasileiros em grandes levantamentos astronômicos como o Sloan Digital Sky Survey (SDSS-IV).

Figura 1 – Exemplo para um AGN da amostra (primeira coluna de imagens) e suas respectivas galáxias de controle (segunda e terceira colunas). Os painéis superiores são imagens das galáxias obtidas pelo levantamento SDSS cuja delimitação em magenta representa o campo de observação do espectrógrafo do levantamento MaNGA. As imagens inferiores são mapas em RGB na qual as cores primárias representam as distribuições de populações estelares jovens (azul), de idade intermediária (verde), e velhas (vermelho). Nos eixos x e y, as posições das galáxias são indicadas em relação ao núcleo em unidades de segundos de arco. Crédito da imagem: artigo.
Figura 2 – Os gráficos mostram a contribuição das populações estelares jovens para cinco intervalos de luminosidade (eixo y), calculadas em três regiões das galáxias, definidas em termos do raio efetivo (Re, que é raio que contém metade da luminosidade total da galáxia). As cores representam agrupamentos da amostra de AGN: verde para os AGN em galáxias espirais, vermelho para os AGN em galáxias elípticas e azul para a amostra inteira de AGN. Linhas sólidas correspondem às galáxias ativas e as linhas tracejadas às galáxias de controle. Crédito da imagem: Crédito da imagem: artigo

 




21 de agosto de 2018

Telescópio SOAR observa sombras de mundos distantes

Uma câmera capaz de fazer imagens rápidas do céu está instalada no telescópio SOAR. Ela possui a capacidade de fazer mais de 10 imagens por segundo, o que a torna um poderoso recurso para registro detalhado de eventos astronômicos de curta duração. A motivação para a instalação desta câmera é efetuar registros de ocultações estelares por pequenos corpos do Sistema Solar, área na qual alguns pesquisadores e estudantes do ON, OV/UFRJ e da UTFPR possuem destacada atuação internacional. O estudo de pequenos corpos do Sistema Solar através de ocultações estelares permite que tamanho e forma desses corpos sejam determinados com precisões de poucos quilômetros e também que estruturas tais como anéis ao redor desses corpos, bem como atmosferas tênues, sejam detectadas. Até mesmo características de suas topografias, como a presença de grandes vales, podem ser detectadas!

O projeto de instalação desta câmera foi feito por uma equipe liderada pelos pesquisadores R. Vieira-Martins, J. Camargo e F. Braga-Ribas (Observatório Nacional & LIneA), P. Bourget (engenheiro do ESO) e H.Dottori (Diretor do SOAR, na época), com o suporte de técnicos do observatório SOAR. A câmera estará, em breve, disponível para a comunidade astronômica brasileira que utiliza o telescópio SOAR.

Nos meses de junho e julho de 2018, a câmera registrou seus dois primeiros eventos de ocultação estelar:

  • 1- Pelo satélite irregular de Saturno chamado Febe (veja mais sobre Febe aqui).
  • 2- Pelo objeto transnetuniano (471143) 2010 EK139 (ou apenas 2010 EK139, para simplificar).

Um objeto transnetuniano (ou abreviadamente TNO) é aquele que está além da órbita de Netuno, ou seja, a mais de 4.5 bilhões de quilômetros do Sol. Para uma comparação, este valor equivale a 30 vezes a distância Terra-Sol. O TNO 2010EK139, em particular, está a cerca de 5.4 bilhões de quilômetros do Sol. Já o satélite Febe, situa-se a cerca de 1.4 bilhões de quilômetros. A detecção de sombras oriundas de objetos tão distantes requer cálculos sofisticados e equipamentos adequados. As observações das ocultações por Febe e 2010 EK139 mostram, assim, o sucesso de nossas predições destes fenômenos.

Estas observações de ocultações fazem parte de um ambicioso projeto que inclui o uso da DECam (câmera CCD do levantamento Dark Energy Survey – 1234) como preparação para o levantamento Large Synoptic Survey Telescope (LSST). O LSST possibilitará a observação de várias dezenas de ocultações por ano. Num contexto de colaboração internacional, estamos nos preparando para fornecer predições precisas para esses eventos (isto é, quando e onde observá-los), para observá-los nós mesmos, sobretudo quando ocorrerem em nosso continente, e também para analisar os dados oriundos dessas observações.

O processo de redução e análise destas observações contam com a infraestrutura do LIneA e o apoio do INCT do e-Universo.

Quer saber como foram as observações desses eventos? Confira abaixo a ocultação por Febe, registrada por J. Camargo e A.R. Gomes Júnior, e a ocultação por 2010EK139, registrada por J. Camargo e G. Benedetti-Rossi.

Note que, na ocultação por Febe, ainda há brilho na posição da estrela durante a ocultação. O que estamos vendo, na verdade, é o brilho do próprio Febe!

Para saber mais sobre TNOs e pesquisas deste grupo, veja os links sobre Haumea, Febe e ocultações.

 




17 de agosto de 2018

Maratona Científica em Pittsburgh

No período de 16/07/2018 a 01/08/2018, o pós-doutorando do LIneA Michel Aguena participou de uma maratona de eventos científicos realizados na Carnegie Mellon University em Pittsburgh, EUA. Foram três oficinas, uma escola e um encontro de colaboração relacionados aos grandes levantamentos fotométricos Dark Energy Survey (DES) e Large Synoptic Survey Telescope (LSST), cuja participação de brasileiros é apoiada pelo Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA). Os 5 eventos ao longo destes 16 dias são comentados abaixo:

  • Y3KP workshop (16/07 – 20/07) – O Y3 Key Projects Workshop foi uma oficina do DES para o desenvolvimento de projetos fundamentais para o estudos em cosmologia utilizando-se os dados combinados dos 3 primeiros anos do levantamento. Diversos projetos com os seguintes temas foram desenvolvidos: Estrutura em Grande Escala, Lenteamento Gravitacional Fraco, Redshifts Fotométricos, Modelagem em Simulações, Métodos Estatísticos, e Aglomerados de Galáxias. O pós-doutorando participou do trabalho relacionado a aglomerados de galáxias, no qual um código extremamente eficiente para a predição da abundância de aglomerados está sendo desenvolvido.
  • CosmoDC2fest (20/07 – 22/07) – Workshop voltado ao desenvolvimento de aspectos da simulação CosmoDC2 do LSST e uma introdução para membros sem familiaridade com o mesmo. CosmoDC2 é uma simulação baseada em partículas de matéria escura com o objetivo de reproduzir as condições observáveis das galáxias esperadas para o LSST. Foram descritos os aspectos técnicos envolvidos na criação da simulação e na obtenção de acesso à simulação através do GCRCatalog, este último, um aplicativo em linguagem python desenvolvido especificamente para o fácil acesso a grandes volumes de dados. Michel familiarizou-se com a ferramenta para extrair halos de matéria escura que são usados em trabalhos relacionados com os aglomerados de galáxias.
  • DE School (23/07) – A oitava escola de energia escura realizada durante os encontros de colaboração do LSST-DESC (colaboração científica de energia escura do LSST). Os principais tópicos abordados foram aplicação cosmológica em grandes levantamentos, simulações, análise de dados, e paralelização computacional e aplicação em supercomputadores. As palestras foram uma combinação de aulas expositivas intercaladas com aplicação prática em jupyter notebooks, o que se mostrou ser muito efetivo para a motivação e aprendizado. Cada aula e os jupyter notebooks correspondentes estão disponíveis para os participantes do levantamento LSST (links no final da matéria).
  • DESC meeting (24/07 – 27/07) – Encontro de colaboração do LSST-DESC para discutir e planejar os projetos a serem realizados quando as observações com o LSST começarem, previstas para meados de 2022. Enquanto isso, grande parte dos esforços do encontro foram voltados para a DC2 (Data Challenge 2), simulação baseada em e matéria escura cujo objetivo é reproduzir as observações previstas do LSST. Foram discutidas as diferentes características necessárias para se obter uma simulação realista dentro do contexto da versão atual e quais os objetivos a serem alcançados com a futura DC3. Durante esse encontro o pós-doutorando trabalhou com os halos de matéria escura da simulação DC2. Em particular, analisou a relação massa-riqueza dos halos e a sua função de correlação angular, verificando que ambas as relações tem comportamento esperado.
  • CLMM workshop (27/07 – 01/08) – Workshop para o desenvolvimento do pacote de python CLMM para o LSST, com objetivo de calibrar a relação massa-riqueza de aglomerados usando resultados de medidas de efeitos de lenteamento fraco. Durante cinco dias, os participantes focaram integralmente na criação desse pacote para permitir inclusão de modelos externos. O pós-doutorando trabalhou em seções fundamentais do pacote, como o gerenciamento de dados dos aglomerados e a interação entre os aglomerados e os modelos a serem aplicados.

Michel Aguena é um pós-doutorando do LIneA, apoiado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do e-Universo (INCT do e-Universo).

Links internos do LSST

Mais detalhes dos eventos estão disponíveis na páginas do sistema confluence, que só estão disponíveis para membros do LSST. Abaixo se encontram os principais links:

Figura 1 – Foto oficial do encontro do DESC na CMU. Michel Aguena na parte inferior esquerda. Crédito da imagem: DESC collaboration.
Figura 2 – ClusterMassModule Workshop. Michel Aguena na esquerda. Crédito da imagem: Camille Avestruz.



15 de agosto de 2018

South American Workshop on Cosmology in the LSST Era

O primeiro workshop sul-americano de Cosmologia na Era do Large Synotpic Survey Telescope (LSST) ocorrerá no ICTP-South American Institute for Fundamental Research em São Paulo, no campus da UNESP, de 17 a 21/12 desse ano. Ele é co-organizado com o laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA) e tem como organizador principal Rogerio Rosenfeld (IFT-UNESP), vice-coordenador do INCT do e-Universo.

O objetivo deste workshop é atrair especialistas de diferentes áreas de cosmologia para discutir desafios recentes relacionados aos resultados encontrados nos vários projetos em andamento, e expectativas para os planejados para o futuro próximo, além de aumentar a visibilidade e a participação da comunidade latino-americana nesse projetos.

A inscrição é gratuita e a participação de pesquisadores de várias áreas relacionadas é muito importante. Haverá a possibilidade de inscrever trabalhos e teremos algum financiamento limitado para apoio. Mais detalhes sobre o workshop podem ser encontrados no link.

O LIneA e o INCT do e-Universo apoiam pesquisadores brasileiros participantes do levantamento LSST, entre outros.

Cartaz do evento em formato PDF: workshop-cosmology1.pdf